Povera, feminino de
povero, é uma palavra italiana que significa "pobre". Assim foi conhecido esse movimento surgido na década de 1960 na Itália: Arte
povera. Pobre porque propunha a utilização de materiais inúteis, simples, o que hoje comumente chamamos de sucata: metal, pedra, areia, madeira, trapos, etc.
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| Jannis Kounellis, Sem título, 1969. |
Na obra de Jannis Kounellis (acima), também conhecida como
Margarida com fogo, vemos que não existiu a preocupação de "esconder" o botijão de gás que alimenta o fogo, da mesma forma que a flor não traz nada além de uma chapa de metal cortada. Nessa fase, Kounellis propunha o trabalho com fogo em suas obras para simbolizar a idéia de transformação e purificação.
Assim como na
pop art, havia uma tentativa de aproximar as obras do cotidiano das pessoas comuns. Porém, enquanto a
pop art utilizava imagens e técnicas massificadas, a arte
povera buscava empobrecer as obras de arte.
O termo arte
povera foi criado pelo crítico Germano Celant em 1967, por ocasião da exposições realizada por esses artistas.
O movimento ganhou força na década de 1970, influenciado pela arte conceitual. Os temas e materiais utilizados na arte
povera buscavam tratar das propriedades dos elementos utilizados, que poderiam sofrer transformações com o passar do tempo. Por exemplo, a oxidação do metal (é possível traçar paralelos com a
arte efêmera).
A arte
povera também atuou como uma crítica à economia capitalista e à sociedade de consumo, de maneira a provocar reflexões sobre o valor de uso das coisas.
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| Giovanni Anselmo, Sem título. 1968. |
Veja, por exemplo, a obra de Giovanni Anselmo (acima): o artista colocou vegetais entre duas pedras; com o apodrecimento dos vegetais, a estrutura entrava em colapso, ou seja, deixava de existir como havia sido pensada inicialmente. Dessa forma, seria possível discutir as idéias de efêmero e eterno na arte, por exemplo.
Essas obras de arte desafiavam os padrões vigentes; elas pertencem à esfera dos movimentos de contracultura dos anos 60 e, muitas vezes, propunham uma interação entre artista e trabalho, como na obra a seguir, de Michelangelo Pistoletto:
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| Pistoletto, Vietnam, 1962-65. |
Observe que, ao fundo, aparecem os espectadores da obra. Isso acontece porque a imagem de protesto contra a guerra do Vietnã - provavelmente uma imagem fotográfica ampliada para o tamanho real - foi colada sobre um espelho, fazendo com que os observadores da obra também "entrem" nela. E, por que não?, tenham uma atitude contra a guerra.
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