País pequeno, montanhoso, encravado entre a China e a Índia, famoso por abrigar o Monte Everest, o
Nepal pôs fim a quase 240 anos da única monarquia hinduísta do mundo. Em uma sessão histórica, realizada no dia 28 de maio de 2008, a Assembléia Constituinte, eleita em abril, transformou uma das nações mais pobres do mundo em
República.
O desgaste da administração comandada pelo rei Gyanendra, no poder desde 2001, após o seu irmão ter sido morto pelo filho, foi traduzido pelo resultado da votação: 560 votos a favor da República contra quatro pela manutenção da monarquia.
A proclamação da República somente aconteceu sem
revolução ou
golpe de Estado porque os
maoístas conquistaram a maioria absoluta das 601 cadeiras da Assembléia Constituinte. Logo após o resultado das eleições, outros partidos também formaram uma colisão com os maoístas, provocando um completo isolamento do rei.
Mudança do Regime
O caminho para a mudança de regime foi traçado em 2006 pelos maoístas e outros partidos que assinaram o acordo de paz, após dez anos de guerra civil que deixou, aproximadamente, 13 mil mortos. Com 51,4% dos seus quase 30 milhões de habitantes analfabetos, taxa de desemprego de 42% e
PIB per capita de US$ 1.100, o Nepal tem a sua economia baseada principalmente na agricultura de subsistência.
A chegada ao poder do rei Gyanendra, herdeiro da dinastia Shah, que unificou o Nepal no século 18, foi precedida de um massacre da família real em 2001, em Katmandu, a capital, quando morreram o rei Birendra (irmão de Gyanendra), a rainha Aishwayra, o príncipe herdeiro da coroa, Dipendra e outros integrantes da realeza nepalesa.
As investigações da polícia revelaram que Dipendra foi o responsável pelas mortes _o herdeiro da coroa matou seus familiares, tentou o suicídio e morreu em conseqüência dos ferimentos provocados pelos tiros.
Monarquia ou República?
O fim da monarquia no Nepal trouxe ao centro do debate político uma questão que se arrasta há muitos séculos: o regime ideal para o desenvolvimento dos países.
Uma rápida análise revela que alguns dos países mais avançados da Europa (e do mundo) têm na monarquia o seu regime: o
Reino Unido, a
Bélgica, a
Noruega, a
Dinamarca, a
Holanda e a
Suécia, por exemplo. Fora do continente europeu, a
Nova Zelândia, a
Austrália, o
Japão e o
Canadá também são países monárquicos altamente desenvolvidos.
No entanto, os defensores da República têm muitos exemplos na Europa e em outros continentes para citar: a
Finlândia, a
Suíça, a
Islândia, a
Áustria, a
Alemanha e os
Estados Unidos.
Monarquia no Brasil
No Brasil, a monarquia teve um longo reinado: 389 anos, desde o descobrimento do país, em 1500, até a
Proclamação da República, no dia 15 de novembro de 1889.
Em 1993, cumprindo uma determinação da Constituição de 1988, houve um
plebiscito no país para a escolha da forma e sistema de governo. Após uma grande mobilização e campanhas publicitárias, os brasileiros, por ampla maioria, optaram pela manutenção da república e do presidencialismo. No plebiscito de 93, realizado no dia 21 de abril, compareceram às urnas 67.010.409 eleitores, de acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Do total, 6.843.196 escolheram a monarquia, enquanto 44.266.608 preferiram a república. Houve 7.030.815 votos em branco e 8.869.790 nulos. No mesmo plebiscito, o parlamentarismo recebeu 16.518.028 votos, contra 37.156.844 do presidencialismo. Foram 3.467.181 votos em branco e 9.868.316 nulos.
Copyright UOL. Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução apenas em trabalhos escolares, sem fins comerciais e desde que com o devido crédito ao UOL e aos autores.