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17/04/2008 - 07h27

Piratas do século 21

Ataques no mar crescem mais do que o comércio

Manuela Martinez*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Página 3

Pirataria volta a ser problema para a navegação marítima no século 21

Em meio às guerras, aos conflitos étnicos, ao início da "abertura econômica" pós-Fidel Castro, em Cuba, ao aquecimento global e à epidemia de dengue no Rio de Janeiro, uma notícia mereceu destaque entre as principais agências do mundo na segunda semana de abril de 2008: o ataque ao iate de luxo francês "Le Ponant", na costa da Somália, África, realizado por dez piratas fortemente armados.

Apesar de toda a sofisticação eletrônica dos navios, iates, veleiros e demais tipos de embarcações, a ação dos piratas cresceu 10% no ano passado (apenas para efeito de comparação, o comércio global registrou uma alta de 7%), de acordo com um levantamento realizado pelo IMB (International Maritime Bureau), órgão que centraliza as informações sobre pirataria em todos os continentes.

Em 2007, foram registrados 263 ataques de piratas, mas, segundo especialistas, o número pode ser bem maior porque os proprietários de pequenas embarcações normalmente não procuram as autoridades competentes para prestar queixas.

Normas rígidas

Mesmo com o crescimento de 10% registrado em 2007, o número de ataques de piratas ainda é bem menor do que em 2000, quando 469 casos foram registrados. No entanto, após o ataque sofrido pelos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001, as normas mundiais de segurança ficaram mais rígidas, principal fator apontado pelos especialistas para a redução dos ataques.

Em 2007, quem navegou por águas da Somália, Nigéria e Indonésia teve mais probabilidade de ser atacado por piratas - foram realizados pelo menos 50 ataques nesses três países, dos quais 31 somente na Somália. Segundo o International Maritime Bureau, o país africano concentra muitas quadrilhas organizadas e praticamente não existe fiscalização por parte da polícia.

Os prejuízos causados pela pirataria em todo o mundo podem ser traduzidos por números. Na última década, cerca de 3.200 pessoas foram feitas reféns, outras 150 morreram durante os ataques e 500 ficaram feridas.

Sofisticação

Os relatos dos comandantes, tripulantes e passageiros dos navios atacados revelam que os piratas, há muito tempo, trocaram o romantismo pela sofisticação. No século 21, as "armas" são outras: GPS, lanchas rápidas, fuzis e máscaras. Em 2007, os piratas provocaram um prejuízo de US$ 16 bilhões para as empresas e países.

Em seu favor, os piratas têm a estatística: pelo menos 80% dos bens comercializados em todo o mundo circulam pelo mar, transportados por 50 mil grandes navios. Para minimizar as ações dos piratas, os governos e dirigentes das grandes empresas trabalham em duas linhas: alguns defendem a presença de militares nas embarcações, enquanto outros acreditam que é preciso melhorar a sofisticação dos aparelhos e equipamentos de segurança.

No passado, a pirataria, que sempre foi considerada um crime internacional, era combatida com extremo rigor - os piratas normalmente eram enforcados. Mesmo assim, os ataques continuaram e até hoje persistem como um grave problema de segurança internacional.
*Manuela Martinez é jornalista e publicitária.
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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