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17/07/2007 - 18h50

Partidos palestinos

Hamas e Fatah disputam hegemonia

Roberto Candelori*
Especial para a Folha
A violência explodiu novamente entre os militantes do Hamas e do Fatah. Desta vez o cenário da tragédia foi a faixa de Gaza, território sob controle da ANP (Autoridade Nacional Palestina).

Parece difícil entender essa guerra protagonizada por dois partidos palestinos. Cenas de fuzilamento com exibição de corpos mutilados, invasão de prédios públicos e trocas de tiros entre militantes. De fato, o que está em jogo, mais que a luta pelo domínio territorial, é a disputa pela hegemonia palestina. Nessa queda-de-braço entre os dois partidos, o ponto central do embate é o Estado de Israel. Mahmoud Abbas presidente da ANP e líder do Fatah, defende o diálogo com Israel com vistas a uma convivência pacífica. Ismail Haniyeh, líder do Hamas e premiê da ANP, opõe-se à negociação e é partidária da destruição do Estado judeu.

Desde sua criação por Iasser Arafat em 1959, o Fatah defendia abertamente a destruição de Israel. Somente a partir de 1974, quando o líder palestino foi recebido nas Nações Unidas com honras de chefe de Estado, passou a trilhar o caminho da diplomacia. Após a assinatura do Acordo de Oslo em 1993, que lhe rendeu o Nobel da Paz, o líder do Fatah reconheceu o direito de existência de Israel e passou a defender por meio do diálogo a criação de um Estado para seu povo.

O Hamas, Movimento de Resistência Islâmica, surgiu em 1987 por ocasião da primeira Intifada (rebelião, em árabe). Defende desde sua criação a destruição do Estado de Israel e o estabelecimento de um Estado teocrático na palestina histórica, ou seja, "do Mediterrâneo ao Jordão".
Contrário ao Acordo de Oslo, que reconhece Israel, o Hamas se converteu num inimigo declarado do Fatah, recusando-se sistematicamente a aceitar as negociações com Israel.

Rotulado pelos EUA e por Israel como terrorista, o Hamas responde com radicalismo e violência. Desde sua vitória nas eleições de janeiro de 2006, intitula-se o legítimo representante dos mais de 1 milhão de palestinos confinados na faixa de Gaza. No ímpeto de isolar e punir o Hamas que, referendado pelo voto, assumiu o controle da ANP, Israel e EUA enfraqueceram Abbas e o Fatah. Terrível equívoco que, além de vidas palestinas e israelenses, pode sacrificar o sonho e a esperança de uma paz definitiva para a região.

Roberto Candelori é professor do Colégio Móbile.
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