Favela e cidade: as distâncias sociais desapareceram?
Cortiços ou favelas têm sido, na história do Brasil, comunidades tidas como lugares de exclusão social. Nos cortiços do Rio de Janeiro do século 19, pobres, imigrantes e negros libertos foram mostrados pela literatura de modo determinista, como criaturas consumidas pela animalidade. Isso era suficiente para separar os "verdadeiros" cidadãos dos excluídos. Entretanto, no século 20, as favelas emergem com força político-social e se impõem ao mundo dito "organizado" tanto do ponto de vista financeiro, quanto do ponto de vista social. Hoje, no século 21, talvez tenhamos chegado a um ponto de intersecção social diferente: quem é quem, se o mundo de todos é o mesmo?
O glamour dos morros no mundo contemporâneo

Maquete usada por Hans Donner nas imagens de abertura da novela "Duas Caras"
Hoje, o processo da globalização na cultura de massa transformou a vida na favela em comunidade exemplar, inserindo-a até em telenovela. A favela da Portelinha (Duas Caras, Rede Globo, 2008) não tem tiroteios nem assaltos nem drogas nem afrouxamento da moral - imposta com autoridade de "coronel" por Juvenal Antena.
Seus moradores vão à universidade, são cineastas, políticos e pequenos empresários. A cidade vai à favela, onde está o melhor restaurante português, e negros e brancos, mesmo num país tão miscigenado como o nosso, nunca se amaram tanto como na polêmica telenovela de Aguinaldo Silva.
O acordar no cortiço naturalista
"Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava (...) das portas surgiram cabeças congestionadas de sono.(...) Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres (...), via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pêlo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas da mão. As portas das latrinas não descansavam, era um abrir e fechar de cada instante, um entrar e sair sem tréguas.. Sentia-se (...) o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.
("O Cortiço, Aluísio Azevedo, 1890).Refavela
A refavela
Revela aquela
Que desce o morro e vem transar
O ambiente
Efervescente
De uma cidade a cintilar
("Refavela", Gilberto Gil, 1977)Inspiração
A "Cadeira Favela" foi criada pelos premiados designers brasileiros, Fernando e Humberto Campana, com sarrafos de madeira recolhidos em vários lugares. Passou a ser produzida na Itália, pela empresa Edra, em 2003.
A "Favela" apareceu em revistas de design internacionais e no jornal "The New York Times". Também está em exposição no Museu Georges Pompidou, em Paris, e no Museu de Arte Moderna, em Nova York.
Observações
Seu texto deve ser escrito em língua portuguesa;
Não deve estar redigido em forma de poema (versos) ou narração;
A redação deve ter no mínimo 15 e no máximo 30 linhas escritas;
Não deixe de dar um título a sua redação;
Envie seu texto até o dia 25 de junho de 2008;
Confira as redações avaliadas a partir de 1o de julho de 2008.
Elaboração da Proposta
Márcia Lígia Guidin
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
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