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Proposta de março de 2009

O aborto deve ou não deve ser legalizado? Por quê?

Há muitos anos, as nações discutem questões científicas, éticas, morais e religiosas que envolvem o aborto. Ele é legalizado e feito de forma segura em vários países, mas é ilegal e visto como grave crime em outros. Muitas mulheres (de todas as classe sociais e religiões) já interromperam uma gravidez indesejada, com ou sem ajuda médica, com ou sem respaldo legal. Uma das principais discussões é se a legalização do aborto diminuiria uma gravíssima questão de saúde pública: as complicações pós-aborto, que são a terceira causa de morte entre mulheres em idade fértil. O que você acha? Por razões médicas ou por escolha pessoal da mulher, o aborto deve ou não ser legalizado?

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Redação

Aluno:***

Idade:***

Colégio:***

8.5

Talvez nos anos 3000

A polêmica gerada em torno do aborto ocorre em decorrência dos distintos pontos de vista em que o assunto é focalizado. A falta de debates e humildade na mudança de opinião das grandes potências formadoras de caráter - ciência e religião - fazem com que esse assunto seja visto com "viseiras" e banhado de preconceito.

Em todas as diversas religiões existentes e praticadas no Brasil, o direito à vida é inexorável, fazendo com que seus crentes lutem por essa graça (como consideram) de Deus, impiedosamente. A falta do pensamento dialético em grande parte da sociedade faz com que as pessoas alienem suas idéias e opiniões, gerando conflitos intermináveis, como ocorre com o aborto. Essa falta de trocas de informação resultou no impasse da descriminalização do aborto, pois a ciência e a religião pregam práticas divergentes para sociedades também divergentes. Não é possível o questionamento de leis abortivas sem antes uma união entre a religião e a ciência, resultando em idéias coerentes e cabíveis à toda a sociedade.

Não podemos nos esquecer, ao tratar de um assunto de imensa grandiosidade como o aborto, das diferenças sociais existentes no Brasil. A desigualdade causa diferentes motivos para a realização daquele. Será que pode-se comparar a finalidade do aborto de uma pessoa pobre e uma rica? É claro que não! Pesquisas apontam que há divergência nos motivos. Seria preconceito comparar as condições precárias e sub-humanas em que muitas mulheres vivem com os luxos de outras. Muitos abortos seriam evitados se houvesse à mãe a segurança de um bom parto, bons médicos e uma vida digna e justa aos seus filhos. O processo de aborto clandestino é doloroso, porém incomparável ao sofrimento de uma mãe ao ver seu filho morrendo de fome, de doenças e sendo humilhado pelos cantos de uma sarjeta. Isso torna tal pecado capital em uma fuga e uma solução para futuros dissabores.

As leis abortivas devem ser feitas sem pressa e com muita seriedade. O problema do poder legislativo brasileiro e de muitos políticos é tentar solucionar os assuntos pendentes de uma forma superficial, fraca e mal planejada, sendo que muitos daqueles mexem com o credo e com a emoção. O aborto deve ser discutido sem preconceitos, sem viseiras e a objetividade deve ser descartada. Muitas outras exceções devem existir, tratando-se das leis abortivas, como na permissão dessa prática quando ocorre a má formação do feto e passagem materno-fetal de doenças altamente contagiosas que trarão ao bebê sérios problemas em sua vida. Além dessas exceções, a ajuda de psicólogos e assistentes sociais para pessoas que pretendem fazer o aborto é indispensável.

A hipocrisia está presente em nosso âmbito social e a união ciência-religião ainda não está feita nos tão sonhados anos 2000. Quando o respeito e a seriedade permear, realmente, nas entranhas humanas, a sociedade estará completa e a descriminalização do aborto e muitas outras atuais polêmicas não precisarão ser discutidas, porque os problemas serão resolvidos naturalmente, com a ciência e o credo atuando, unidas, em seus respectivos campos. Até lá, aguardemos os agora idealizados anos 3000.

Comentário geral

O texto aborda o problema de forma original e interessante, ao apontar a necessidade de um consenso entre religião e ciência para a questão do aborto. Fatos, opiniões e argumentos são apresentados com propriedade. Algumas dificuldades de expressão presentes no texto não comprometem as linhas centrais da argumentação. Problemas de ortografia, escolha vocabular e colocação pronominal estão sublinhados no texto.

Aspectos pontuais

1) Há um problema semântico no trecho ressaltado em vermelho no primeiro parágrafo. O que se quer destacar é que, muitas vezes, as posições tomadas pelas instituições religiosas e pela comunidade científica são rígidas ou inflexíveis, o que torna o debate estéril. Também não se trata de instituições que formam "o caráter das pessoas", mas sim de instituições que formam "a opinião pública".

2) No segundo parágrafo, o trecho ressaltado em vermelho poderia ser mais conciso: "De modo geral, nas religiões (...)". Ainda no mesmo parágrafo, o advérbio "impiedosamente" (que significa "sem piedade") deve ser substituído, pois soa de forma irônica.

3) No quarto parágrafo, é preciso reconsiderar a afirmação feita no trecho ressaltado em vermelho. Observe que o que o texto afirma é que a discussão sobre o aborto deve "descartar a objetividade". Será isso mesmo?

Competências avaliadas

CompetênciaNota
1.Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita.1.5
2.Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.2.0
3.Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.2.0
4.Demonstrar conhecimento dos mecanismos lingüísticos necessários para a construção da argumentação.1.5
5.Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.1.5
Total 8.5

Desempenho do aluno em cada competência

Nota 2,0 - Satisfatório Nota 0,5 - Fraco
Nota 1,5 - Bom Nota 0,0 - Insatisfatório
Nota 1,0 - Regular
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Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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