Favela e cidade: as distâncias sociais desapareceram?
Cortiços ou favelas têm sido, na história do Brasil, comunidades tidas como lugares de exclusão social. Nos cortiços do Rio de Janeiro do século 19, pobres, imigrantes e negros libertos foram mostrados pela literatura de modo determinista, como criaturas consumidas pela animalidade. Isso era suficiente para separar os "verdadeiros" cidadãos dos excluídos. Entretanto, no século 20, as favelas emergem com força político-social e se impõem ao mundo dito "organizado" tanto do ponto de vista financeiro, quanto do ponto de vista social. Hoje, no século 21, talvez tenhamos chegado a um ponto de intersecção social diferente: quem é quem, se o mundo de todos é o mesmo?
Aluno:***
Idade:***
Colégio:***
4,0
Uma Cidade dentro da Cidade
As comunidades carentes (ou favelas) sempre foram vistas como um local de reunião de marginais, ponto de venda de drogas e mais uma série de preconceitos que consequentemente sujam a imagem de quem têm como única opção morar em tal comunidade.
Porém, a realidade vem se modificando ao longo dos anos graças à maior facilidade de acesso aos meios de comunicação, o que torna a população carente uma população mais consciente e bem informada sobre o que acontece no Brasil e no mundo.
Essa consciência faz com que muitos moradores procurem se tornar verdadeiros empresários, administrando assim pequenos mercados, bares e agora com a era da computação até "Lan Houses" casas aonde a pessoa paga para utilizar um computador por um determinado período.
Contudo, não devemos nos esquecer da responsabilidade do governo em tornar as favelas um lugar digno de se viver, pois muitas dessas favelas não tem os serviços básicos do governo com qualidade como saneamento básico, segurança e educação. Em alguns casos há comerciantes que tem de pagar pela segurança de seu estabelecimento e pior, pagar para àqueles que deveriam fazer a proteção gratuitamente, ou seja, para uma pequena classe de policiais corruptos, essa categoria é conhecida como Mílicia e vem sendo frequentemente mostrados nos jornais os abusos cometidos por tais criminosos.
Esse crescimento das comunidades carentes na verdade surgiu do preconceito sofrido na hora de se candidatar a uma vaga no mercado de trabalho, ou seja, quem mora na favela não é digno de ocupar um cargo de confiança em uma determinada empresa, o que faz os moradores optarem pelo trabalho informal.
Acredito que para esse povo desassistido considerar-se totalmente livre do fantasma chamado preconceito é necessária uma maior atenção, saber ouvir esse povo que tem muito a dizer e não só subir o morro em época de eleição, como fazem muitos políticos brasileiros. Essa grande parte mais carente tem muito a mostrar, todavia, sem confiança dos que empregadores eles nunca vão ter chance de mostrar que um morador de favela é tão competente como outro qualquer e que ele na verdade só precisa de uma oportunidade para comprovar que tem potencial para ajudar uma empresa a crescer.
Comentário geral
O texto apresenta fatos e opiniões à altura da proposta de redação. No entanto, ao ater-se à questão do preconceito dos empregadores em relação aos moradores da favela, a redação acaba atribuindo toda a responsabilidade pelo crescimento das favelas ao desemprego. Além disso, vários problemas lingüísticos também obscurecem a argumentação. Sublinhamos no texto problemas de ortografia e o uso indevido de iniciais maiúsculas.
Aspectos pontuais
1) O primeiro parágrafo apresenta vários problemas lingüísticos, principalmente relacionados à concordância verbal. No entanto, podemos melhorar muito a redação desse trecho dividindo-o em períodos menores e fazendo pequenas modificações pontuais (que se reduzem a um ponto ou a um detalhe). Observe como fica o texto, já corrigido: "As comunidades carentes (ou favelas) sempre foram vistas com preconceito, como locais de reunião de marginais ou pontos de venda de drogas. Essa imagem negativa atinge as pessoas que têm como única opção morar em tal comunidade."
2) Observe, no terceiro parágrafo, o emprego do advérbio "aonde". "Onde" significa "em que lugar, em qual lugar". Por exemplo: "Onde você nasceu?" "Aonde", por sua vez, significa "para qual lugar". Exemplo:"Aonde vai esse ônibus?" A melhor opção para definir "lan houses" seria "casas em que as pessoas pagam para utilizar um computador por um determinado período".
3) No quarto parágrafo, podemos apontar o maior problema na argumentação empregada na redação. Ela afirma uma relação de causa e efeito difícil de sustentar: "Esse crescimento das comunidades carentes na verdade surgiu do preconceito sofrido na hora de se candidatar a uma vaga no mercado de trabalho." Ora, certamente muitos outros fatores contribuíram para o crescimento das comunidades carentes. É mais prudente evitar afirmações absolutas, das quais se assume inteiramente a validade, pois geralmente podem ser facilmente contestadas pelo leitor.
Competências avaliadas
| Competência |
Nota |
| 1. |
Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. |
1,0 |
| 2. |
Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. |
1,0 |
| 3. |
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. |
0,5 |
| 4. |
Demonstrar conhecimento dos mecanismos lingüísticos necessários para a construção da argumentação. |
1,0 |
| 5. |
Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. |
0,5 |
Desempenho do aluno em cada competência
| Nota 2,0 - Satisfatório |
Nota 0,5 - Fraco |
| Nota 1,5 - Bom |
Nota 0,0 - Insatisfatório |
| Nota 1,0 - Regular |
|
Copyright UOL. Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução apenas em trabalhos escolares, sem fins comerciais e desde que com o devido crédito ao UOL e aos autores.