Texto complementar
Aluno:***
Idade:***
Colégio:***
6.0
Quem se incomoda com o uso da maconha?
Esta pergunta não é tão simples de responder, é preciso considerar quê fatores podem estar envolvidos na questão como um todo e que efeitos sociais produzem.
Por um lado, se penso nos efeitos que o uso da maconha produz em seus usuários, posso partir para o entendimento de que o livre arbítrio deve existir para o seu uso da mesma forma que há para o uso do álcool e do fumo, as socialmente consideradas drogas lícitas. Afinal, basta abrir diariamente os jornais para se deparar com situações de desgraça provocadas pelo uso legal do álcool: elas são com certeza bem mais numerosas do que as notícias de situações decorrentes do uso da maconha. O uso continuado do álcool comcerteza também produz efeitos nocivos no organismo de qualquer um.
Sob outro ângulo, posso aqui lembrar do sofrimento de uma família amiga que tem um componente usuário de drogas há mais de 20 anos, o qual iniciou com a maconha e pouco a pouco foi experimentando drogas mais pesadas, chegando a atos desesperados de vender objetos de seus familiares para conseguir comprar mais droga ou para pagar os traficantes que lhe vendiam, causando por sua vez desespero em sua família. Podemos falar de livre arbítrio nesse caso? Há que se considerar, após inúmeras internações hospitalares, que todos os médicos que o atenderam defenderam a continuação do uso do cigarro de maconha como alternativa ao uso das drogas pesadas, como cocaína, crack e outras, havendo um certo consenso entre os médicos que essas eram as que lhe faziam mal em um nível impeditivo, trazendo prejuízo ao convívio social; o uso da maconha permitiria que ele levasse uma vida mais ou menos "normal", dentro de parâmetros razoáveis; enfim, a maconha sendo reconhecida, mais uma vez, como droga passível de ser socialmente aceita.
Do ponto de vista do tráfico, aí sim os efeitos são bem mais danosos.
Primeiramente podemos nos perguntar por quê um jovem entra para o tráfico; será que é uma escolha ou uma alternativa para uma vida com poucas alternativas? Existe trabalho para todos em nosso país? E antes mesmo do trabalho, existe alimentação, saúde, educação, moradia, ..., enfim, condições dignas de uma pessoa tornar-se cidadã? Os tais direitos fundamentais constitucionalmente definidos são assegurados??? Eu acredito que se houvesse um investimento maciço em educação, uma maior equidade na distribuição de renda, uma maior consciência social da responsabilidade que cada um pode e deve ter para reverter os índices negativos que nos desqualificam, um Estado mais atuante nas políticas públicas, nossa história seria outra, não teríamos os crescentes índices de criminalidade nem seríamos reféns da violência e do medo que cada vez nos domina mais, nos tornando cada vez menos humanos.
Comentário geral
O texto é fluente e mostra domínio da norma culta. No entanto, apresenta claramente dois movimentos que não estão bem relacionados. A primeira parte (três primeiros parágrafos) discute, com bastante propriedade, a conveniência da legalização da droga, citando exemplos, fornecendo argumentos convincentes e estabelecendo comparações. A segunda parte do texto (dois últimos parágrafos) passa a fazer considerações sobre o tráfico e a criminalidade, relacionando-os com a situação política, econômica e social do país. Escapa, assim, do tema proposto para a redação ("O uso da maconha deve ou não ser legalizado?").
Aspectos pontuais
1) "Quê" é um substantivo, que pode significar "alguma coisa", como no seguinte exemplo: "Ela tem um quê de estrela de cinema." No primeiro parágrafo, o correto é o emprego do pronome relativo "que": "é preciso considerar que fatores podem estar envolvidos na questão".
2) A distribuição dos temas nos cinco parágrafos do texto está desequilibrada. Observe: há parágrafos extremamente longos e outros extremamente curtos. Com um pouco de planejamento, é possível distribuir melhor os temas que serão desenvolvidos para defender um ponto de vista.
3) No último parágrafo, podemos observar certo abuso no emprego dos sinais de pontuação como forma de dar ênfase ao texto. Observe: vírgulas, reticências e diversos pontos de interrogação dão ao texto um tom emocional, pouco apropriado a uma dissertação (texto em que se expõe um tema com objetividade).
Competências avaliadas
| Competência | Nota |
| 1. | Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. | 1.5 |
| 2. | Compreender
a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para
desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. | 1.0 |
| 3. | Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. | 1.0 |
| 4. | Demonstrar conhecimento dos mecanismos lingüísticos necessários para a construção da argumentação. | 1.5 |
| 5. | Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. | 1.0 |
Desempenho do aluno em cada competência
| Nota 2,0 - Satisfatório |
Nota 0,5 - Fraco |
| Nota 1,5 - Bom |
Nota 0,0 - Insatisfatório |
| Nota 1,0 - Regular |
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