O uso da maconha deve ou não ser legalizado?
A utilização da maconha tem sido alvo cada vez mais freqüente de polêmicas, artigos e debates. Há, por exemplo, amplo respaldo médico sobre os efeitos devastadores da maconha no cérebro. Segundo muitos cientistas, ela vicia, sim, e encaminha o usuário para drogas mais pesadas. Por outro lado, existem estudos científicos que propõem o uso medicamentoso da maconha, mesmo que de forma contínua. Há também quem a compare ao álcool e defenda a legalização de seu uso recreativo. Além disso, para alguns, uma eventual descriminalização da maconha seria um modo de pôr fim ao tráfico e a violência por ele gerada. O que você pensa disso? A maconha deve ou não ser legalizada?
Texto complementar
Aluno:***
Idade:***
Colégio:***
5.0
Falsa democracia
É fácil falar quando se está de fora, ter uma opinião, julgar, condenar... é tudo tão simples quando o usuário não é alguém próximo. Alguém que não se vê mais sem o uso de substâncias ilícitas e por causa desse vício arrisca a própria vida e de todos que o rodeiam, dia após dia, atrás de algo que os faça "viajar" de novo.
É assim a vida de milhares de brasileiros, que na ilusão do típico: "fumo porque quero e paro quando quiser" entram no mundo das drogas achando que com ele nada de mau vai acontecer. E é a maconha a porta de entrada para essa ilusão de que muitos não conseguem sair, e para manter tal vício não medem conseqüências.
A princípio... maconha faz mal? De acordo com a revista "Super Interessante" - edição de abril (2002) ela faz mal, mas muito pouco e só para casos extremos. O uso moderado não. Sem contar que apenas 6% a 12% dos usuários, desenvolvem um uso compulsivo da maconha (menos que a metade das taxas para álcool e tabaco). Então, porque não legalizar? Pelo menos assim o tráfico reduziria, e talvez o simples fato de "não ser mais proibido" faria com que muitos nem se envolvessem com ela.
O maior problema é que a maconha se torna porta de entrada para outras drogas mais nocivas, e muitos não param só nela. Além de que como o organismo vai se acostumando, as doses são cada vez maiores, e é exatamente aí que começa o problema.
Mas acontece que vivemos em um país que se diz democrático, onde o governo que acata a vontade da maioria da população , embora respeitando os direitos e a livre expressão das minorias. Então se a maioria for a favor, nada mais justo que cada um possa tomar suas próprias decisões sobre o que acha certo "ingerir" ou não, sem pressão ou influência do governo.
Comentário geral
O texto demonstra desenvoltura ("desembaraço, vivacidade"), além de domínio da sintaxe e da pontuação. No entanto, os argumentos não estão bem articulados. Note como o segundo e o quarto parágrafos são bem parecidos. No último parágrafo, é preciso tornar mais claro o raciocínio, levando-se em conta que existe uma relação direta entre o governo (que faz as leis) e os direitos e deveres dos cidadãos (que precisam acatar as leis).
Aspectos pontuais
1) No primeiro parágrafo, no trecho ressaltado em vermelho, observe o argumento implícito ("subentendido, não declarado") usado pelo autor da redação: só se fala com propriedade sobre esse assunto quando se conhece alguém próximo que vivencie o problema. No entanto, refletir, emitir opiniões e debater um tema é justamente o que caracteriza um texto dissertativo (o que é muito diferente de julgar ou condenar).
2) No segundo parágrafo, há um detalhe que deve ser observado. O pronome "ele" deve ficar no plural ("eles"), concordando com o sujeito (que é "milhares de brasileiros"). Observe o trecho já corrigido: "milhares de brasileiros (...) entram no mundo das drogas achando que com eles nada de mau vai acontecer. E é a maconha a porta de entrada para essa ilusão".
3) Observe o trecho ressaltado em vermelho no último parágrafo. O emprego do pronome "onde" (que significa "em que lugar" ou "no lugar em que") não está adequado. Duas sugestões para refazer o texto: a) "país que se diz democrático, cujo governo acata a vontade da maioria da população" ou b) "país que se diz democrático, com um governo que acata a vontade da maioria da população".
Competências avaliadas
| Competência | Nota |
| 1. | Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. | 1.0 |
| 2. | Compreender
a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para
desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. | 1.5 |
| 3. | Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. | 1.0 |
| 4. | Demonstrar conhecimento dos mecanismos lingüísticos necessários para a construção da argumentação. | 1.0 |
| 5. | Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. | 0.5 |
Desempenho do aluno em cada competência
| Nota 2,0 - Satisfatório |
Nota 0,5 - Fraco |
| Nota 1,5 - Bom |
Nota 0,0 - Insatisfatório |
| Nota 1,0 - Regular |
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