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Proposta de agosto de 2008

O uso da maconha deve ou não ser legalizado?

A utilização da maconha tem sido alvo cada vez mais freqüente de polêmicas, artigos e debates. Há, por exemplo, amplo respaldo médico sobre os efeitos devastadores da maconha no cérebro. Segundo muitos cientistas, ela vicia, sim, e encaminha o usuário para drogas mais pesadas. Por outro lado, existem estudos científicos que propõem o uso medicamentoso da maconha, mesmo que de forma contínua. Há também quem a compare ao álcool e defenda a legalização de seu uso recreativo. Além disso, para alguns, uma eventual descriminalização da maconha seria um modo de pôr fim ao tráfico e a violência por ele gerada. O que você pensa disso? A maconha deve ou não ser legalizada?

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Redação

Aluno:***

Idade:***

Colégio:***

5.5

Os valores ultrapassados e paradoxais de uma sociedade incoerente

Essa discussão gerada em torno do assunto: legalização do uso da maconha, em tempos mais remotos despertaria em nós uma suspeição totalmente compreensível. No entanto, ao ultrapassarmos a barreira do século XXI, e nos deparar com os constantes avanços da medicina, o que outrora era justificável, hoje, torna-se insustentável e inadmissível.

É evidente que o uso indiscriminado e prolongado, não só o da maconha, como também de qualquer outra substância química, causa danos ao ser humano. Ao compararmos, de maneira análoga, o cigarro comercializado legalmente e a maconha fortemente reprimida em muitos outros países, observamos que os danos e lesões causadas pelo uso continuado do tabaco são muito mais graves e acentuados do que os de um "baseado". O teor de substâncias tóxicas do cigarro industrializado é muito maior e prejudicial à saúde do homem do que os danos gerados pelo THC.

Entretanto, a hipocrisia de uma sociedade de valores éticos e morais ambíguos, tendem a aumentar a fama de vilã dessa erva. Esse fato pode ser facilmente refutado ao observarmos o seu uso terapêutico, embora pouco divulgado, porém, muito utilizado em diversos outros países. Se partirmos do ponto de vista de que a maconha realmente é uma substância química tão diferente das outras drogas lícitas, então por que para fins terapêuticos ela se torna uma droga lícita? E os danos causados ao cérebro? E a dependência progressiva? Para esses fins os danos se tornam irrelevantes?

A verdade é simples. Nós, os cidadãos de bem, já temos um pré-conceito a respeito da maconha, nós a associamos diretamente ao crime organizado, à violência, a tudo aquilo que é contrário aos princípios jurídicos, às leis. Ora, não poderia ser diferente, realmente é o que de fato acontece. A maconha é causa de muitas das mazelas de uma sociedade por ser um produto de criminalizado. Mas pense! É muito simples. E se esses males não estivessem associados à maconha? Tudo seria diferente? Absolutamente.

Por isso, nós precisamos renovar a nossa maneira de agir e de pensar. Não podemos mais alimentar um submundo cruel e impiedoso gerado a partir da criminalização da maconha. Basta! É tempo de mudar, renovar os pensamentos e tirar a venda da hipocrisia que nos impede de enxergar. Estamos anestesiados e indiferentes. Aceitar que milhares de vidas sejam sacrificadas a cada sem que providências sejam tomadas é ultrajante e irracional. A vida, sem dúvida, é muito mais importante do que certos valores ultrapassados e paradoxais. Necessitamos, urgentemente, de governantes sérios e dispostos a dar um basta no que tange descriminalizar e legalizar o uso da maconha.

Comentário geral

O texto demonstra desenvoltura ("desembaraço, vivacidade"), ritmo e domínio da norma culta. Além disso, desenvolve um ponto de vista claro em relação à descriminalização da maconha. Há problemas, contudo, na construção das orações e dos períodos, e também no uso da pontuação.

Aspectos pontuais

1) Observe como, em algumas passagens, o texto torna-se panfletário ("que apóia com radicalismo uma idéia, um movimento ou uma causa"), ao adotar um tom emocional em busca da adesão do leitor para sua causa. Por exemplo: "Não podemos mais alimentar um submundo cruel e impiedoso!" ou "Basta! É tempo de mudar..."). Eliminar esses trechos traria mais objetividade à argumentação.

2) Sempre que possível, é aconselhável evitar o emprego de clichês, como ocorre no último parágrafo. O clichê, de acordo com o Dicionário Houaiss, é uma "frase rebuscada que se banaliza por ser muito repetida, transformando-se em unidade lingüística estereotipada, de fácil emprego pelo emissor e fácil compreensão pelo receptor; lugar-comum, chavão", como ocorre em "submundo cruel e impiedoso"; "tirar a venda da hipocrisia que nos impede de enxergar"; "aceitar que milhares de vidas sejam sacrificadas a cada sem que providências sejam tomadas". Devemos apontar ainda, no último exemplo, que o trecho está truncado, pois falta um substantivo ("sejam sacrificadas a cada o quê?").

3) O último parágrafo apresenta grande ambigüidade ("obscuridade; hesitação entre dois sentidos"). Qual a proposta exata contida na última oração? Verifique: "necessitamos, urgentemente, de governantes sérios e dispostos a dar um basta no que tange descriminalizar e legalizar o uso da maconha". Note que "descriminalizar" é o mesmo que "dar um basta à criminalização". Também é de notar que "tanger" é um verbo transitivo indireto. O certo, seria, portanto, "no que tange a descriminalizar...".

Competências avaliadas

CompetênciaNota
1.Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita.1.5
2.Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.1.5
3.Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.1.0
4.Demonstrar conhecimento dos mecanismos lingüísticos necessários para a construção da argumentação.1.0
5.Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.0.5
Total 5.5

Desempenho do aluno em cada competência

Nota 2,0 - Satisfatório Nota 0,5 - Fraco
Nota 1,5 - Bom Nota 0,0 - Insatisfatório
Nota 1,0 - Regular
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