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Proposta de outubro de 2009

"Selinho" é inocente ou tem significado sexual?

No mês de setembro de 2009, foi preso em Fortaleza um turista italiano, por ter dado um beijo nos lábios da filha de 8 anos. Esse "caso de polícia" fez com que se discutisse a atitude cultural do "selinho" que, para muitas pessoas, tem forte conotação sexual, principalmente entre pais e filhos. Segundo a esposa brasileira, indignada com a prisão do marido, essa é apenas uma forma inocente que se usa na família deles para demonstrar afeto. De fato, até amigos trocam um "selinho", de vez em quando. A questão é: a moda do selinho é inocente? Ou ele deve ser evitado, pois tem apelo sexual? O que você acha?

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Redação

Aluno:***

Idade:***

Colégio:***

5.0

Selinho, afeto e carinho

O selinho, expressão conhecida como uma modalidade de beijo na boca em que os lábios se tocam levemente, tem despertado discussões na sociedade moderna que outrora não despertava. O gesto que antes era tido como uma demonstração de carinho, de afeto, atualmente passou a ser visto também como um gesto malicioso. Analisar essa mudança de paradigma requer uma análise sobre a sociedade em que se vive e sobre seus valores a fim de identificar o porquê de se atribuir uma conotação sexual a um gesto que sempre fora visto como uma demonstração de carinho.

Em um primeiro momento, questionar a inocência de um selinho, duvidar da demonstração de amor, de carinho, de afeto de um pai pelo filho, ou do casal de namorado que se cumprimenta dessa forma é questionar os valores da própria sociedade. A sociedade que questiona tais valores, precípuos a [à] vida humana, caminha gradativamente à sua degradação. Apesar disso, não há como negar que alguns fatores contribuíram para tal situação.

Com a modernização da sociedade e seu avanço em todos os segmentos, a liberalização foi o fator contribuinte para muitas mudanças nos dias atuais. A sociedade evoluiu e dessa forma se tornou mais liberal. Com isso, gestos restritos à intimidade das pessoas, como o próprio selinho, passaram a ser praticados em público, e por pessoas diversas. É comum atualmente se deparar em programas de televisão, [e] em revistas, com pessoas se cumprimentando através de [com um] selinho, contribuindo, pois, com a banalização do ato. A banalização do selinho é um dos motivos que influenciam nessa mudança de pensamento.

Além disso, e talvez o fator determinante para essa inversão de valores reside no mais nojento dos fatores, que é a pedofilia. A cada dia aumentam os casos de pedofilia no Brasil e no mundo gerando uma situação de insegurança geral e de desconfiança em toda e qualquer pessoa. Um simples selinho de um pai em um filho, por exemplo, a princípio um lindo gesto de carinho, pode estar travestido num repugnante ato de lascívia sexual. Diante disso, qualquer gesto passa a ser visto de forma maliciosa.

Destarte [Assim], não obstante [apesar da] a ocorrência de alguns fatores que contribuem para a marginalização do selinho, o que não se deseja é generalizar maliciosamente um gesto que sempre fora considerado como uma demonstração de carinho, de afeto entre algumas pessoas. Nesses casos, o selinho será sempre visto de forma inocente representando o mais puro dos sentimentos, o amor.

Comentário geral

O autor demonstra certo domínio da norma culta, mas faz uma escolha desnecessária por uma linguagem "bacharelesca" e grandiloquente. Numa dissertação, se avalia principalmente a lógica da argumentação. A linguagem simples e clara ajuda a tornar essa lógica mais evidente. O principal problema do texto, porém, é ter se desviado da proposta.

Aspectos pontuais

1) Em primeiro lugar, o autor se desviou da proposta de redação, como se vê já no trecho assinalado em vermelho no primeiro parágrafo. A proposta é a pergunta: o "selinho" é inocente ou tem significado sexual? O autor pressupõe que a sociedade considerava o selinho inocente e que, agora, passou a encará-lo de modo malicioso. A partir daí, vai analisar o que mudou na sociedade.

2) Um segundo problema do texto é o que se pode chamar de "efeito Rolando Lero". O autor quer demonstrar conhecimento usando um vocabulário complexo e prolongando suas frases para parecer grandiloquente. No terceiro parágrafo, por exemplo, nas duas frases em vermelho, o autor diz exatamente a mesma coisa, só que de maneiras diferentes. Ou seja, incorre num vício de expressão que se chama redundância.

3) O "efeito Rolando Lero" acaba gerando confusão, como se vê duas vezes no quarto parágrafo: a) "... o fator... reside no mais nojento dos fatores". O que o autor quer dizer é tão somente: "O fator determinante dessa inversão de valores é a pedofilia". b) É exatamente o contrário: um repugnante ato de lascívia [lascívia é sempre sexual] pode estar travestido num lindo gesto de carinho. A recíproca não é verdadeira.

Competências avaliadas

CompetênciaNota
1.Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita.1.5
2.Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.0.5
3.Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.1.0
4.Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.1.0
5.Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.1.0
Total 5.0

Desempenho do aluno em cada competência

Nota 2,0 - Satisfatório Nota 0,5 - Fraco
Nota 1,5 - Bom Nota 0,0 - Insatisfatório
Nota 1,0 - Regular
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Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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