Aleksandr Porfirievitch Borodin, filho ilegítimo do príncipe Imeretinsky, da Geórgia, dividiu sua vida entre a música e as atividades de professor e pesquisador de química na Academia Médico-Cirúrgica. Como cientista, chegou a ser conhecido internacionalmente, tendo escrito cerca de vinte estudos sobre química orgânica.
Ainda muito jovem iniciou estudos de flauta, piano e violoncelo com professor particular. Depois de formado, conheceu
Mussorgsky e passou a dedicar-se com mais intensidade à música.
Em 1862, de volta da viagem de estudos de três anos à Europa ocidental, trava contacto com
Balakirev, cuja amizade irá dar novo impulso à sua atividade de compositor.
Considerado por muitos como o mais original compositor do Grupo dos Cinco - composto também por Mussorgsky, Balakirev, Cui e Dargomichki -, Borodin deixou uma obra pequena, mas de importância.
Como a música dos demais membros do grupo, suas composições caracterizam-se pelo deliberado abandono das tradições da música ocidental, na busca de uma linguagem eminentemente russa.
Principais obras
Sua obra mais conhecida é a ópera "Príncipe Igor", com um prólogo e quatro atos. Borodin começou a escrevê-la em 1869. Inúmeras vezes interrompida e recomeçada, ao morrer faltavam-lhe ainda a abertura e a orquestração. Tendo ouvido o autor interpretar a abertura ao piano, o compositor e maestro Aleksandr Konstantínovich Glazunov transcreveu-a de memória, encarregando-se, ainda, juntamente com
Rimsky-Korsakov, da orquestração.
"Príncipe Igor" foi representada, pela primeira vez, em 4 de novembro de 1890, na cidade de São Petersburgo, com sucesso. O tom geral é grandioso, com passagens de ternura e bom humor. Destacam-se, dentre as partes da ópera, as danças polovetsianas, freqüentemente executadas em concertos.
Borodin também é conhecido pela "Sinfonia nº 2 em si menor", executada pela primeira vez em 1877, uma das mais belas sinfonias da música russa, e pelo "Quarteto para cordas nº 1 em lá maior", notável peça de música de câmara em que se destaca um noturno.
Dignas de menção são ainda a "Sinfonia nº 1 em mi bemol maior", a "Pequena suíte", oito peças para piano, e o poema sinfônico "As estepes da Ásia Central", dedicado a
Lizst, o grande divulgador de sua obra na Europa ocidental.
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