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Biografias

Escritor gaúcho

Érico Veríssimo

17/12/1905, Cruz Alta (RS)
28 /11/1975, Porto Alegre (RS)

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

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Érico Veríssimo escreveu a trilogia "O tempo e o vento", que demorou quinze anos para ser concluída

Aos 13 anos, Érico Lopes Veríssimo já lia autores nacionais como Aluísio Azevedo e Joaquim Manoel de Macedo; e autores estrangeiros como Walter Scott, Émile Zola e Dostoievski. Em 1920 foi estudar em Porto Alegre, no Colégio Cruzeiro do Sul, de orientação protestante. Seus pais separam-se em 1922.

Sua mãe, o irmão e a irmã foram morar na casa da avó materna. Para ajudar no orçamento, Érico tornou-se balconista no armazém do tio, até que conseguiu uma vaga no Banco Nacional do Comércio. Nessa época começou a escrever seus primeiros textos.

Sua mãe decidiu que a família mudaria para Porto Alegre, a fim de que seu irmão, Ênio, fizesse o ginásio no mesmo colégio onde Érico havia estudado. Na capital, Érico, transferido para a matriz do Banco do Comércio, teve problemas de saúde e perdeu o emprego. Recuperado, empregou-se numa seguradora, mas não se adaptou aos superiores.

Diante das dificuldades, a família retornou a Cruz Alta. Érico voltou a trabalhar no Banco do Comércio em 1925, mas acabou aceitando a proposta de Lotário Muller, amigo de seu pai, para tornar-se sócio da "Pharmacia Central". Em 1927, além das obrigações da farmácia, dava aulas de literatura e inglês. Começou a namorar sua vizinha, Mafalda, então com 15 anos.

Em 1929 Érico publicou "Chico: um conto de Natal", no"Cruz Alta em Revista" e os contos "Ladrão de gado" e "A tragédia dum homem gordo", na "Revista do Globo", em Porto Alegre. O conto "A lâmpada mágica" foi publicado no "Correio do Povo". Com a falência da farmácia em 1930, o autor mudou-se para Porto Alegre. Passou a conviver com escritores renomados, como Mario Quintana, Augusto Meyer, Guilhermino César e foi contratado para o cargo de secretário de redação da "Revista do Globo".

Em 1931 casou-se com Mafalda Halfen Volpe e fez as traduções de "O sineiro", "O círculo vermelho" e "A porta das sete chaves" de Edgar Wallace. Colaborou nos jornais "Diário de Notícias" e "Correio do Povo". Em 1932 foi promovido a Diretor da Revista do Globo e passou a atuar no departamento editorial da Livraria do Globo. Sua obra de estréia, "Fantoches" era uma coletânea de histórias em sua maior parte na forma de peças de teatro. Em 1933 traduziu "Contraponto", de Aldous Huxley.

No mesmo ano, seu primeiro romance, "Clarissa" foi lançado e fez sucesso. Em seguida, "Música ao longe", foi agraciado com o Prêmio Machado de Assis. Outro romance, "Caminhos cruzados", recebeu o Prêmio Fundação Graça Aranha. Foi publicado, ainda naquele ano "A vida de Joana d'Arc". Em viagem ao Rio de Janeiro, Veríssimo fez contato com Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, José Lins do Rego e outros.

Em 1936, publicou o livro infantil, "As aventuras do avião vermelho". e depois, "Um lugar ao sol". No ano seguinte criou o programa infantil "Clube dos três porquinhos", na Rádio Farroupilha e fez a "Coleção Nanquinote", com os livros "Os três porquinhos pobres", "Rosa Maria no castelo encantado" e "Meu ABC". Resistindo a submeter previamente à censura as histórias apresentada no rádio, Érico encerrou programa que havia criado.

Em 1938 lançou um de seus maiores sucessos, "Olhai os lírios do campo". No mesmo ano publicou "O urso com música na barriga". No ano seguinte, lançou a série infantil, "A vida do elefante Basílio" e "Outra vez os três porquinhos"; e o livro de ficção científica "Viagem à aurora do mundo". Depois publicou "Saga" e traduziu: "Ratos e homens", de John Steinbeck; "Adeus Mr. Chips" e "Não estamos sós", de James Hilton; "Felicidade" e "O meu primeiro baile", de Katherine Mansfield.

Em 1941 passou três meses nos Estados Unidos, a convite do Departamento de Estado americano. Suas impressões dessa temporada estão no livro "Gato preto em campo de neve". A idéia do livro "O resto é silêncio" veio de um trágico incidente quando ele e seu irmão Enio testemunharam o suicídio de uma mulher que se atirou de um edifício em Porto Alegre. Em 1942 a Editora Meridiano (uma subsidiária criada pela Globo para driblar a censura) publicou "As mãos de meu filho", reunião de contos e outros textos do autor. Depois foi publicado "O resto é silêncio".

Temendo a ditadura Vargas, Érico aceitou o convite para lecionar Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia e mudou-se para os Estados Unidos com a família. Publicou o compêndio "Breve história da literatura brasileira". De volta ao Brasil lançou, em 1946, "A volta do gato preto"e começou a escrever "O tempo e o vento". Previsto para ter um só volume, com aproximadamente 800 páginas, e ser escrito em três anos, acabou ultrapassando as 2.200 páginas, sob a forma de trilogia, consumindo quinze anos de trabalho.

Em 1953, a convite do governo brasileiro, Érico Veríssimo assumiu em Washington (EUA) um cargo na Organização dos Estados Americanos, substituindo a Alceu Amoroso Lima. Visitou diversos países da América Latina. No ano seguinte foi agraciado com o prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra. De volta ao Brasil, em 1956, lançou "Gente e bichos", coleção de livros para crianças. Sua filha casou-se e foi morar nos Estados Unidos. Érico a visitou diversas vezes.

Em 1957, o autor publicou "México", com as impressões da viagem que fizera àquele país.

Acompanhado de sua mulher e do filho Luís Fernando, fez sua primeira viagem à Europa, em 1959. Expôs sua defesa à democracia em palestras em Portugal. Lançou "O ataque", que reunia três contos: "Sonata", "Esquilos de outono" e "A ponte". Em 1962 acabou "O Arquipélago", concluindo a trilogia de "O tempo e o vento".

Em 1965 ganhou o Prêmio Jabuti com o livro "O senhor embaixador". Viajou para os Estados Unidos e depois para Israel, a convite do governo daquele país. Em 1967 lançou "O prisioneiro".

"O tempo e o vento", sob a direção de Dionísio Azevedo, com adaptação de Teixeira Filho, estreou na TV Excelsior em 1967. No ano seguinte Érico Veríssimo ganhou o prêmio "Intelectual do ano" (Troféu Juca Pato).

Em 1969 a casa onde o escritor nasceu, em Cruz Alta, foi transformada em Museu. Lançou "Israel em abril" e em 1971, "Incidente em Antares". Em 1972 relançou "Fantoches" e ampliou sua autobiografia, publicada em 1966, fazendo surgir suas memórias - sob o título de "Solo de clarineta" - cujo primeiro volume foi publicado em 1973. Deixou inacabado o segundo volume de suas memórias, além de esboços de um romance que se chamaria "A hora do sétimo anjo".

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