Menino-prodígio como pianista, Liszt alcançou o primeiro sucesso em Viena, no ano de 1822. Dizem que, certa vez, depois de ouvir Paganini, o virtuose do violino, teria resolvido tornar-se o "Paganini do piano". De fato, tornou-se o maior pianista do século 19. Liszt estudou piano com Carl Czerny e composição com o rival de
Mozart, Antonio Salieri.
Vivendo sempre nos círculos sociais da aristocracia, teve inúmeros casos de amor. Amigo de escritores como Alphonse de Lamartine,
Victor Hugo, Georges Sand e
Heinrich Heine, ligou-se ao romantismo. De sua relação com a condessa Marie d'Agoult teve vários filhos, dentre eles, Cosima, que se tornaria esposa de
Richard Wagner.
Em 1844 separou-se da condessa e, quando alcançara o ponto mais alto de sua carreira como virtuose, renunciou ao piano, passando a tocar só para amigos. Graças à sua atividade na direção, o teatro de Weimar se tornou um dos principais centros de música da Europa. Ali, ele dirigiu a primeira representação do
Lohengrin, de Wagner, a quem apoiava incondicionalmente.
Mais tarde, ingressou na vida religiosa. No final da vida, viveu em Bayreuth, na companhia de Wagner e Cosima, recebendo admiradores e jovens pianistas de todo o mundo.
Criador do poema sinfônico
Suas
Rapsódias húngaras, escritas para piano, são peças brilhantes, de alto virtuosismo pianístico, e devem sua fama à versão orquestrada. Com essas obras, de inspiração cigana, Liszt tornou a música húngara reconhecida na Europa.
Liszt é considerado o criador do poema sinfônico. Sua técnica era a "transformação temática", na qual um ou mais temas musicais, representando pessoas ou ideais heróicos, iam-se desenvolvendo ao longo do trabalho, criando assim, simultaneamente, estrutura musical e narrativa romântica. Essa técnica atingiu o ponto culminante na
Sonata para piano em si menor, de 1853, e na
Sinfonia Fausto, de 1854.
Homem de grande generosidade, Liszt possuía ampla cultura literária e filosófica - e um desejo nunca plenamente realizado de satisfação religiosa. Na verdade, coabitavam dentro dele três homens distintos: o artista visionário, o cigano apaixonado e o católico devoto.
Liszt deixou mais de 400 obras originais, além de muitas transcrições e arranjos. Seu nacionalismo musical húngaro desencadeou uma onda de nacionalismos semelhantes por toda a Europa, da qual se salientam: o checo Bedřich Smetana, o norueguês Edvard Hagerup Grieg, o russo Aleksandr Porfirievich Borodin e o finlandês
Jean Sibelius.
Enciclopédia Mirador Internacional e Música clássica, de John Stanley (Editora Livros & Livros)
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