Em 1796, Friedrich Schlegel estabeleceu-se, com o irmão mais velho,
August Wilhelm Schlegel, em Jena. Jovem chefe do movimento romântico, rompeu espetacularmente com
Schiller. Foi influenciado pela filosofia de
Fichte. Em 1798 tornou-se companheiro (casado só em 1804) de Dorothea Veit (1763-1839), filha do filósofo judeu Moses Mendelssohn, cujo gosto literário o fortaleceu nas convicções românticas.
Suas críticas magistrais do
Wilhelm Meister, de
Goethe, e de peças de
Shakespeare foram incluídas no volume, editado juntamente com August Wilhelm Schlegel,
Interpretações e críticas.
Entre 1798 e 1800 dirigiu a importante revista literária dos românticos,
Athenaeum, na qual colaboraram Schleiermacher e Novalis. Seu romance
Lucinda, de 1801, defesa do amor livre, provocou escândalo.
Friedrich Schlegel também viveu em Paris, entre 1802 e 1804, quando se dedicou ao estudo do sânscrito e produziu a obra
Sobre a língua e a sabedoria dos indianos, de 1808, que teve ampla repercussão.
Em 1808, F. Schlegel converteu-se ao catolicismo e entrou no serviço diplomático da Áustria, manifestando em seus escritos posteriores convicções extremamente reacionárias.
Verdade poética e ironia
Nos seus primeiros escritos,
Do estudo da poesia grega e
História da poesia dos gregos e romanos, F. Schlegel parece um classicista ortodoxo, pois os antigos lhe parecem insuperáveis. Mas já inclui idéias novas sobre a origem e a significação da literatura em geral.
As críticas de obras de Goethe e Shakespeare são as primeiras interpretações no sentido da crítica literária moderna - abandona, então, o dogma classicista. Em seus fragmentos e aforismos, publicados na revista
Athenaeum, já está plenamente desenvolvida a sua teoria romântica da literatura como expressão do espírito nacional e da época, ressaltando-se a influência do cristianismo, a progressiva substituição da poesia pela prosa e, enfim, a dissolução da verdade poética pela ironia, que é um conceito central da filosofia de F. Schlegel.
A importância histórica desses escritos de F. Schlegel é geralmente reconhecida: são os manifestos do primeiro romantismo alemão. Em compensação, os livros escritos mais tarde, em Viena, foram quase esquecidos. No entanto,
História da literatura antiga e moderna, de 1815, é uma grande obra.
Só nas últimas décadas do século 20 é que se começou a compreender toda a significação das teorias de Friedrich Schlegel sobre a literatura cristã e oriental, sobre os movimentos cíclicos do gosto literário e sobre a formação de uma literatura moderna internacional.
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