Edward Hagerup Grieg cursou o Conservatório de Leipzig, onde se aperfeiçoou em piano e composição. Ali conheceu a obra de
Schumann, cujo estilo o influenciou fortemente. Concluído o curso em 1862, regressa à terra natal. Mas como não conseguisse uma situação vantajosa, resolve transferir-se para a Dinamarca.
Já tendo escrito algumas peças de piano e vários
Lieder, Grieg os submete à apreciação de Niels Gade, então a maior figura da música dinamarquesa. Embora muito estimulado pelo mestre, o jovem compositor em pouco tempo se opõe à orientação conservadora. Não lhe interessava o mendelssohnianismo que norteava a conduta criadora de Gade.
Grieg passa, então, a combater Gade, resolvendo continuar a obra do prematuramente desaparecido Richard Nordraak (1842-1866), o proclamador da independência musical da Noruega.
Munido dos ideais nordraakianos, Grieg reivindica uma música norueguesa inteiramente abeberada na fontes folclóricas da nação, ainda que isso provocasse estranheza nas platéias da Europa. Ligava-se, assim, ao nacionalismo romântico propugnado por escritores como Björnson, no qual até
Ibsen se engajara quando jovem. O objetivo maior é libertar a Noruega dos seculares laços culturais que a prendiam à Dinamarca.
Na prática, o ambicioso programa reivindicatório de Grieg foi executado com muito menos rigor. Jamais se livrou da influência de Schumann e dentro dela é que vai realizar seus propósitos nacionalistas.
Êxito e fama
Já de volta a Oslo (à época, Christiana), escreve as "Peças líricas", para piano - sua melhor obra, embora bem mais alemã que escandinava. Desse período data também o "Concerto em lá menor para piano e orquestra", op. 16, que se tornou popular no mundo inteiro. Mereceu grandes elogios de
Lizst, que o tocou em Roma, em 1870.
Como pianista, regente, e compositor, Grieg empreende várias turnês em diversos países, obtendo extraordinário sucesso. O encanto de suas melodias, sempre em frases curtas, apoiadas numa base harmônica que apesar do colorido nórdico não agride o sentido tonal, chegou a fascinar os auditórios.
Na França chamaram Grieg de "Chopin do Norte" e de "Mozart da Escandinávia". E mesmo um crítico intolerante como
Debussy - que, pessoalmente, não simpatizava com Grieg - reconheceu-lhe o valor.
O êxito e a fama não mais se separaram do compositor norueguês. Recebe o título de doutor
honoris causa pela Universidade de Cambridge. A saúde, minada pela tuberculose, o faz alternar as viagens com períodos de repouso num bucólico retiro na costa norueguesa. E não cessa de compor.
Em 1876 estréia a música de cena para "Peer Gynt", de Ibsen, da qual extrai duas suítes sinfônicas, de absoluto sucesso mundial.
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