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Biografias

Astrônomo, físico e matemático francês

Pierre Simon Laplace

28 de março de 1749, Beaumont-en-Auge (França)
5 de março de 1827, Paris (França)

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

Reprodução

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Laplace escreveu "Mecânica Celeste", que reúne o conjunto de seus trabalhos matemáticos

Pierre Simon, marquês de Laplace, era filho de camponeses. De sua infância e juventude pouco se sabe, ao que parece porque o próprio Laplace, envergonhado da origem humilde, muito fez por obscurecê-la e ocultá-la.

Crescendo na aldeia natal a fama do seu talento, aos 18 anos, graças ao auxílio de vizinhos poderosos, pôde transferir-se para Paris. Tendo Jean le Rond D'Alembert se recusado a recebê-lo, não obstante cartas de recomendação trazidas da província, Laplace soube insinuar-se em sua intimidade, enviando-lhe missiva que teve por tema os princípios gerais da mecânica.

Mais tarde, graças à mediação de D'Alembert, Laplace tornou-se professor de matemática da Escola Militar de Paris.

Aos 24 anos, graças, principalmente, aos seus trabalhos a propósito do sistema solar, Laplace viu-se elevado à posição de membro associado da Academia de Ciências, da qual se tornou membro ordinário 12 anos depois.

Laplace viveu a Revolução Francesa em relativa segurança, embora talvez isso tenha ocorrido tão-somente porque ele se revelara capaz de calcular a trajetória dos projéteis de artilharia e a orientar a fabricação de pólvora.

Após a revolução, no conturbado período político que se seguiu, Laplace revelou-se capaz de notável mimetismo político, acomodando-se às sucessivas facções dominantes e de todos obtendo cargos e honrarias.

É estável ou instável o sistema solar?

Tornando-se professor da Escola Militar de Paris, Laplace encontrou meio de dedicar-se à obra que, por toda a vida, o empolgou: a aplicação pormenorizada das leis de Newton a todo o sistema solar.

Partindo dessas leis, propôs-se a estudar os efeitos combinados das perturbações de todos os elementos do sistema solar sobre cada qual deles e sobre o Sol, buscando responder a perguntas como: "As acelerações suportadas por Júpiter e pela Lua virão, afinal, a fazer com que o primeiro se precipite contra o Sol e a segunda contra a Terra? Os efeitos dessas perturbações são cumulativos ou apenas periódicos e iguais?".

Essas e outras indagações semelhantes tinham o propósito de permitir a elucidação do grande problema: é estável ou instável o sistema solar?

Aos 24 anos, Laplace procurou demonstrar que as distâncias médias dos planetas ao Sol permanecem invariáveis, salvo ligeiras alterações periódicas. Não obstante o significativo alcance do trabalho realizado para demonstração da estabilidade do sistema solar, importa referir que Laplace não levou em conta, ao oferecê-la, numerosos fatos só posteriormente conhecidos.

Assim, a demonstração de Laplace vigora apenas para o modelo idealizado que ele concebeu, e o problema, no conjunto de sua complexidade, continua aberto.

A obra-prima de Laplace, "Mecânica Celeste", onde ele reúne o conjunto de seus trabalhos matemáticos em articulada síntese, foi publicada ao longo de um período de 26 anos, entre 1799 e 1825. Omitindo cálculos e passagens intermediárias, para só se interessar pelas conclusões, Laplace tornou a obra extremamente concisa e de leitura dificílima.

Resumo acessível dos principais resultados foi publicado em 1796 sob o título "Exposição do Sistema do Mundo". Nessa obra e em sua longa introdução não-matemática, Laplace revelou-se escritor excelente.

A introdução dessa obra, não obstante os muitos avanços posteriores, continha leitura recomendável para os que desejam informar-se do objeto e importância do cálculo das probabilidades, independentemente de argumentos técnicos.

Um diálogo entre Laplace e Napoleão Bonaparte mostra, além das posições filosóficas do cientista, o valor moral de que ele era capaz quando estavam em jogo suas verdadeiras convicções. Disse-lhe Napoleão, à vista da "Mecânica Celeste" e pensando embaraçá-lo: "Escrevestes este enorme livro sobre o sistema do mundo sem mencionar uma só vez o autor do universo". E ouviu a réplica de Laplace: "Senhor, não senti necessidade dessa hipótese".

Enciclopédia Mirador Internacional

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