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Biografias

Fotógrafo e etnólogo franco-brasileiro

Pierre Verger

04/11/1902, Paris, França
11/02/1996, Salvador, Brasil

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

Pierre Verger nasceu em uma família abastada e freqüentou a sociedade burguesa de Paris do início do século 20, apesar de não se sentir a vontade nesse meio social. Aos 30 anos, já sem o pai e com a morte da mãe, decidiu que não viveria além dos 40 anos: se o seu fim não fosse natural, deveria ser pelo suicídio. Até lá, restava-lhe aproveitar bem os anos que tinha pela frente. Descobriu, então, suas duas paixões: a fotografia e as viagens.

Com uma câmera Rolleiflex e noções de fotografia aprendidas com o amigo Pierre Boucher, partiu para o Taiti. Essa acabou sendo apenas a primeira de muitas viagens feitas ao redor do mundo durante 14 anos. Para sobreviver, Verger vendia suas fotos para a imprensa e centros de pesquisa. Paris era uma base, onde mantinha com amigos a agência de fotógrafos Alliance Photo.

Em 1946, desembarcou em Salvador, na Bahia, onde o atraíram a hospitalidade e riqueza cultural que encontrou na cidade. Apaixonou-se pela história dos afrodescendentes e pelo candomblé. Esse interesse lhe rendeu uma bolsa de estudos na África, para onde partiu em 1948. Lá, em 1953, foi iniciado na religião dos povos iorubás como babalaô ("pai do segredo") e recebeu o nome de Fatumbi, "nascido de novo graças ao Ifá", sendo o "Ifá" um oráculo daquela crença.

A história, os costumes e a religião praticada pelos povos iorubás e seus descendentes, na África e na Bahia, passaram a ser os temas centrais de sua obra. Além de uma vasta pesquisa fotográfica para o Instituto Francês da África Negra (IFAN), começou a escrever suas impressões. Como colaborador de várias universidades, registrou suas pesquisas em artigos, comunicações e livros. Nos anos 1960 seu trabalho foi reconhecido internacionalmente e ele recebeu o título de doutor pela Universidade Sorbonne.

Em 1973, a pedido do Itamaraty, Verger começou a organizar o Museu Afro-Brasileiro da Bahia, em Salvador, cuja direção foi assumida pela Universidade Federal da Bahia (UFBa). A mesma Universidade lhe conferiria o título de Professor Adjunto em 1979.

Nos últimos anos de vida, a grande preocupação de Verger passou a ser a garantia de acesso às suas pesquisas a um número maior de pessoas e a sobrevivência do seu acervo. Na década de 1980, a Editora Corrupio cuidou das primeiras publicações no Brasil.

Em 1988, Verger criou a Fundação Pierre Verger, da qual era doador, mantenedor e presidente, transformando a própria casa num centro de pesquisa, cujo acervo contém cerca de 60 mil negativos de fotos suas.
 

Fonte: "Pierre Fatumbi Verger: um Homem Livre", Jean Pierre Le Bouler, Fundação Pierre Verger.

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