Sófocles nasceu em Atenas, provavelmente em 495 a.C., e morreu na mesma cidade, no ano 406 a.C. Ele foi contemporâneo da grande época de Atenas, o período no qual a cidade viveu sob a liderança de
Péricles, que se estende das vitórias dos gregos sobre os
persas até quase o fim da Guerra do Peloponeso.
De sua primeira vitória no concurso teatral ateniense, em 468 a.C., até sua morte, Sófocles foi homenageado e festejado como o maior poeta trágico dos gregos. Infelizmente, chegaram até nós apenas 7 das 120 peças que ele escreveu.
A peça mais antiga de Sófocles,
Ájax, ainda apresenta influências de
Ésquilo e uma estrutura dramática muito simples. A seguir, temos
Antígona, a tragédia da mulher que enfrenta as leis e o governo para respeitar os mandamentos divinos e morais, mas acaba massacrada pelo Estado.
Sua obra-prima, contudo, é
Édipo rei, a tragédia do homem perseguido pela fatalidade do destino: transformado em rei, busca um assassino que, na verdade, é ele mesmo, descobrindo, ao final, ter matado seu próprio pai e desposado a própria mãe.
Destino e heroísmo
Ainda que seja comum fazer comparações entre os três grandes dramaturgos trágicos da antiga Grécia - além de Sófocles, Ésquilo e os
Eurípides -, esses exercícios são de pouca serventia, pois cada um deles apresenta características muito particulares. Ésquilo é mais arcaico, mais religioso, e Eurípides é mais psicológico. Sófocles, por sua vez, elaborou um estilo no qual o enredo e a exposição dos fatos chegam a ser idênticos - ou seja, a revelação dos acontecimentos do passado é o próprio enredo, o que amplia a dramaticidade da peça.
O tema de Sófocles é o destino humano - o destino do herói que sofre e é destruído. A tragédia apresenta a crise desse destino individual, imposto pelas forças sobrenaturais. Sófocles acredita que o homem está no centro do mundo, mas também crê no poder irresistível dos deuses (ainda que não tenha fé na justiça divina).
Mas Sófocles não filosofa nem especula sobre os problemas mais profundos da vida. Seus personagens principais, embora sujeitos a falhas humanas, são heróicos e afetados por motivos superiores. Talvez tenha sido o que ele quis expressar quando disse (segundo
Aristóteles), que mostrava as pessoas como elas deviam ser, enquanto Eurípides as mostrava como elas eram.
Para o filósofo
Friedrich Nietzsche, Sófocles tem um pessimismo trágico: o mundo e a vida estão cheios da injustiça e da infelicidade dos que são inocentes. Se suas peças apresentam certa serenidade clássica, isso se deve à beleza lírica, sobretudo dos coros. E é exatamente por meio desse lirismo que Sófocles revela como o homem pode ser grande também na derrota.
Enciclopédia Mirador Internacional e Dicionário Oxford de Literatura Clássica (Jorge Zahar Editor)
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