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Biografias

Escritor brasileiro

Lima Barreto

13/05/1881, Rio de Janeiro
01/11/1922, Rio de Janeiro

Da Redação
Em São Paulo

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O escritor Lima Barreto

Funcionário público e jornalista, o escritor Afonso Henrique de Lima Barreto teve uma vida marcada pelo sofrimento. Mestiço de origem humilde, nunca conseguiu vencer o alcoolismo e chegou a ser internado em hospícios. Na juventude, sofreu preconceito dos colegas e, mesmo quando lançou as suas primeiras obras, foi ignorado pela crítica.

Filho de um tipógrafo, foi incentivado pela família a cursar medicina, mas optou por engenharia civil, embora não tenha concluído a faculdade. Somente com as noções adquiridas na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, conseguiu um emprego na área de engenharia no Ministério da Guerra, mas acabou aposentado por invalidez -as constantes crises provocadas pelo consumo excessivo do álcool não o deixavam trabalhar.

Influenciado por Machado de Assis (escritor de quem não gostava, segundo seus melhores amigos), Lima Barreto foi um grande admirador da literatura russa. Entre as suas principais obras estão "Recordações do Escrivão Isaías Caminha", "Triste Fim de Policarpo Quaresma" e "Clara dos Anjos" (1948), livro publicado 26 anos após a sua morte. Nas primeiras duas décadas do século 20, Lima Barreto também ganhou destaque como contista.

Crítico implacável da realidade brasileira, teve a coragem de romper com o nacionalismo ufanista, muito comum à época. Por isso, foi muito criticado pelos contemporâneos parnasianos por seu estilo coloquial que, anos mais tarde, seria uma das marcas registradas do modernismo.

Como jornalista, Lima Barreto começou a trabalhar em 1902, assinando artigos para os periódicos "Correio da Manhã", "Jornal do Commércio", "Gazeta da Tarde" e "Correio da Noite", entre outros. Parte do seu trabalho publicado na imprensa foi escrito sob pseudônimo -Rui de Pina, Dr. Bogoloff, S. Holmes e Phileas Fogg são os mais comuns.

Em 1907, junto com alguns amigos, editou a revista "Floreal", mas não obteve sucesso. Sem dinheiro para bancar a publicação e com poucos anunciantes, Lima Barreto tomou a decisão de encerrar a publicação com apenas quatro números editados. Marginalizado por seus colegas da Academia Brasileira de Letras, Lima Barreto tentou, por duas vezes, conquistar uma cadeira de imortal. Na primeira delas, em 1919, obtém apenas dois votos. Na segunda tentativa, nova derrota.

O seu romance mais famoso, "Triste Fim de Policarpo Quaresma", foi inicialmente publicado em folhetins do "Jornal do Commércio", antes de ganhar a versão de livro. A obra, que ganhou diversas teses acadêmicas, foi adaptada para o cinema e para o teatro.

Lima Barreto morreu com 41 anos, vencido pela bebida. Boicotado pelos intelectuais e pela alta sociedade do Rio de Janeiro, o seu enterro foi muito concorrido -pobres e anônimos suburbanos, sobre quem escrevia, fizeram questão de acompanhar o seu corpo até o cemitério. Dois dias após a sua morte, aconteceu uma outra tragédia na família Barreto: o seu pai, João Henriques de Lima Barreto, que também sofria de doenças mentais, morreu.
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012
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