"Senhor, porque sei que tereis prazer com a grande vitória que Nosso Senhor me deu em minha viagem, vos escrevo esta, pela qual sabereis como em 33 dias passei das ilhas Canárias às Índias com a armada que os ilustríssimos rei e rainha nossos senhores me deram, de onde eu achei muitas ilhas povoadas com gente sem número; e de todas elas tomei posse por Suas Altezas com brasão e bandeira real estendida, e não me foi objetado." Este é um dos parágrafos da carta que o navegador Cristóvão Colombo enviou ao rei dom Fernando de Aragão e Castela, anunciando o
descobrimento do Novo Mundo, datada de 15 de fevereiro de 1493.
Envolvido desde cedo com a arte da navegação, Cristóvão Colombo realizou suas primeiras viagens em Gênova, no norte da
Itália, onde nasceu. Em 1476, a serviço de um comerciante, acabou naufragando nas costas de
Portugal, onde passou a viver.
Ali morou dez anos, sobretudo no arquipélago da Madeira. Nesse período, dedicou-se a estudar as rotas de navegação, convencido da existência de uma passagem marítima pelo Ocidente até as
Índias. Casou-se 1480 com Felipa Muniz, filha do navegador Bartolomeu Perestelo, em cuja biblioteca estudou as obras que viriam a certificá-lo da existência de novas terras. Com Felipa, que morreria quatro anos depois, teve um filho, chamado Diego.
Por esta época, Colombo tentou, em vão, convencer o rei de Portugal D. João II a conceder permissão para uma viagem ao Oriente. Em 1485, Colombo fixou-se na
Espanha, movido pelo interesse manifestado pelo reis de Castela, Fernando e Isabel, em patrocinar a viagem, com o intuito de expandir a fé católica para as terras orientais.
Composta por três caravelas - Pinta, Nina e Santa Maria - a frota de Colombo deixou as costas da Espanha dia 3 de agosto de 1492. A viagem foi atribulada e a tripulação quase pereceu em terríveis tempestades e tentativas de motins. No dia 12 de outubro, Colombo chegou na ilha que chamaria de San Salvador, no arquipélago das
Bahamas. Navegou pela ilha de
Cuba e pelo
Haiti, retornando à Espanha em março de 1493. Tinha certeza de ter chegado ao Oriente.
Neste mesmo, ano fez sua segunda viagem, com uma frota de 17 naus. Chegou ao Caribe e descobriu várias ilhas, como
Dominica, Guadalupe,
Porto Rico e
Jamaica. Em 1499, numa terceira viagem, alcançou terra firme, nas costas da atual
Venezuela. Reconheceu também as ilhas de
Trinidad e Tobago e
Granada.
Desta viagem, no entanto, já regressou com ordem de prisão. Mesmo perseguido por intrigas palacianas e não mais desfrutando dos privilégios reais, Colombo conseguiu se libertar. Assim, empreendeu ainda uma quarta viagem, entre 1502 e 1504, completando o reconhecimento da costa da
América Central.
Tendo regressado à Espanha em 1504, caiu no ostracismo, abandonado e esquecido. Morreria dois anos depois - e sem saber que havia descoberto um novo continente. Acreditava ter chegado a um anexo remoto da
Ásia.
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