Em 1938,
Benito Mussolini permitiu que o filho de um ferroviário, Enrico Fermi, fosse à
Suécia receber o Nobel de Física. Depois de se doutorar pela Universidade de Pisa e lecionar na Universidade de Florença, ambas na
Itália, Fermi foi responsável por avanços estratégicos na pesquisa atômica.
Seu trabalho na Universidade de Roma demonstrara que era melhor usar nêutrons desacelerados para atingir núcleos atômicos e que a maioria dos elementos sofrem transformações quando bombardeados. Isto é, ficavam radioativos. Para receber o prêmio, teve de pedir permissão ao ditador para atravessar a fronteira. Mussolini deixou. E Fermi foi, com toda a família, para nunca mais voltar à Itália.
No ano seguinte, já professor da Universidade de Columbia (
Estados Unidos), deu provas de por que era tão importante para o
Estado fascista. Ao saber que físicos alemães haviam descoberto a
fissão nuclear do urânio, Fermi se reuniu com o dinamarquês
Niels Bohr para avaliar como seria uma reação em cadeia a partir da fissão do urânio. Como a equação de
Albert Einstein (E=mc2) demonstrava, o resultado era uma imensa quantidade de energia liberada. Uma bomba desta nas mãos de
Hitler seria um perigo.
Os dois cientistas chamaram outros colegas e escreveram uma histórica carta -assinada por Einstein - ao presidente
Franklin Roosevelt . O alarme para os perigos da bomba atômica só foi surtir efeito em 1942, um ano após a entrada dos Estados Unidos na
Segunda Guerra Mundial.
No projeto Manhattan, que fez bomba norte-americana antes dos alemães, Fermi liderou o grupo responsável por manter uma reação nuclear em cadeia auto-sustentada, obtida pela primeira vez em dezembro de 1942, quando testou sua "pilha atômica" no campo de vôlei da Universidade de Chicago.
Desta vez, Roosevelt esperava ansioso por uma notícia de Fermi. A mensagem veio em código: "O navegador italiano acabou de chegar ao Novo Mundo". A experiência com o primeiro reator nuclear poderia ter destruído a cidade, mas seu sucesso foi um passo decisivo para a construção da bomba. A primeira, experimental, explodiu na base de Alamogordo, Novo México, em 16 de julho de 45. No mês seguinte, houve o ataque a
Hiroshima e Nagasaki.
Naturalizado norte-americano em 1944, Fermi recebeu títulos e honrarias. Os mais importantes foram os nomes dados a uma partícula subatômica, o férmion; ao elemento químico de número atômico 100, o férmio; e a uma unidade de comprimento (1 fermi = 10-15 m). O mais potente
acelerador de partículas atual também tem seu nome, o Fermilab (Fermi National Accelerator Laboratory), do Ministério de Energia dos Estados Unidos.
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