Escritor baiano
João Ubaldo Ribeiro
23/01/1941, Itaparica (BA)
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro nasceu na Bahia mas, ainda bebê, mudou-se com a família para Aracaju (SE). Aos seis anos iniciou seus estudos com um professor particular antes de ingressar na escola. Voltou com a família para Salvador e, em 1956, fez amizade com Glauber Rocha, com quem viria a editar revistas e jornais culturais e participar do movimento estudantil.
Estreou no jornalismo, como repórter no "Jornal da Bahia", em 1957, passando depois para "A Tribuna da Bahia", onde chegou a exercer o posto de editor-chefe. Trabalhou também na Prefeitura de Salvador e foi redator no departamento de turismo. Em 1959 participou da antologia Panorama do Conto Bahiano, com "Lugar e Circunstância".
Formou-se em Direito na Universidade Federal da Bahia e fez pós-graduação em Administração Pública, mas nunca exerceu a profissão de advogado. Seu primeiro casamento em 1960, com Maria Beatriz Moreira Caldas, sua colega de faculdade, durou nove anos. Em 1961 participou da coletânea de contos "Reunião" com "Josefina", "Decalião" e "O Campeão". Em 1963 escreveu seu primeiro romance, "Setembro não faz sentido", com o prefácio de Glauber Rocha.
No ano seguinte foi para os Estados Unidos, para fazer seu mestrado em Administração Pública e Ciência Política na Universidade da Califórnia. Voltou ao Brasil em 1965 e começou a lecionar na Universidade Federal da Bahia. Em 1969 casou-se com a historiadora Mônica Maria Roters, com quem teve duas filhas. O casamento acabaria em 1978.
Em 1971 lançou o romance "Sargento Getúlio", ganhador do Prêmio Jabuti do ano seguinte. Publicou, em 1974, o livro de contos "Vencecavalo e o outro povo". Em 1979, passou nove meses como professor convidado da Universidade de Iowa e publicou, no Brasil, o conto "Vila Real".
Seu terceiro casamento aconteceu em 1980, com Berenice Batella, que lhe daria dois filhos. No ano seguinte, mudou com a família, para Lisboa, Portugal. Lá editou, com o jornalista Tarso de Castro, a revista "Careta". De volta ao Rio de Janeiro, lançou "Política", e "Livro de Histórias", coletânea de contos. Começou a publicar uma crônica semanal no jornal "O Globo" (reunidas em 1988 no livro "Sempre aos domingos").
Em 1982 participou do Festival Internacional de Escritores, em Toronto, Canadá. No ano seguinte, estreou na literatura infanto-juvenil com "Vida e paixão de Pandonar, o cruel". Seu livro "Sargento Getúlio" chegou aos cinemas, dirigido por Hermano Penna.
João Ubaldo voltou a residir em Itaparica, na casa onde nasceu. Seu romance "Viva o povo Brasileiro" foi editado em 1984, e recebeu o Prêmio Jabuti e o Golfinho de Ouro, além de ser escolhido em 1997 como samba-enredo da escola Império da Tijuca . Ao lado de Jorge Luis Borges e Gabriel Garcia Marques, participou de uma série de nove filmes produzidos pela TV estatal canadense sobre a literatura na América Latina.
Em 1989 lançou o romance "O sorriso do lagarto", que dois anos depois viraria minissérie na televisão. Em 1990 publicou "A vingança de Charles Tiburone", infanto-juvenil. Permaneceu, com a família, 15 meses em Berlim, onde publicou crônicas semanais num jornal e produziu peças radiofônicas. Retornou ao Rio de Janeiro em 1991 e voltou a escrever crônicas no jornal "O Globo" e em "O Estado de S. Paulo".
Em 1993 adaptou "O santo que não acreditava em Deus" para a Rede Globo. No dia 7 de outubro do mesmo ano foi eleito para a cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras. Em 1994, ficou pronta a adaptação cinematográfica, feita com Cacá Diegues e Antônio Calmon, do romance "Tieta do Agreste", de Jorge Amado.
Na Copa do Mundo de Futebol nos Estados Unidos, trabalhou como enviado dos jornais "O Globo" e "O Estado de S. Paulo". Participou da Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, e lançou o livro de crônicas "Um brasileiro em Berlim", sobre sua estada naquela cidade. Detém a cátedra de Poetik Dozentur na Universidade de Tubigem, Alemanha.
Em 1997 publicou o romance "O feitiço da Ilha do Pavão" e o livro "Arte e ciência de roubar galinha", seleção de crônicas publicadas nos jornais. Durante a 9a Bienal do Livro, no Rio de Janeiro, em 1999, lançou o livro "A Casa dos Budas Ditosos", da série Plenos Pecados, que se transformaria depois em peça teatral. Escreveu, juntamente com Cacá Diegues, o roteiro do filme "Deus é brasileiro", baseado em seu conto "O santo que não acreditava em Deus".
No ano de 2008, foi agraciado com o Prêmio Camões, pelo conjunto da obra.
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