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Biografias

Ex-ditador iraquiano

Saddam Hussein

28/04/1937, Auja, Tkikrit, Iraque
30/12/2006, Bagdá, Iraque

Da Página 3 Pedagogia e Comunicação

Divulgação/U.S.Gov.

Divulgação/U.S.Gov.

Saddam Hussein na prisão

Numa família pobre de lavradores, nasceu Saddam Hussein, no norte do Iraque. Não conheceu o pai, que morreu - ou desapareceu - antes de seu nascimento, e foi criado por uma tia materna. Até se tornar chefe de governo do Iraque, a partir de 1979, Saddam teve uma vida turbulenta. Vários testemunhos ligam o menino ao assassinato de uma professora e de uma prima nesse período.

Aos 20 anos, Saddam se filiou ao partido Baath - mesma época em que foi negado seu pedido de ingresso na Academia Militar de Bagdá, possivelmente porque ele não terminou os estudos. Esse fato sempre serviu para humilhá-lo diante dos demais militares.

Aos 26 anos, foi nomeado vice-secretário do Baath e tornou-se vice do presidente Ahmed Hasan al Bakr, que lhe deu a patente de general.

A influência de Saddam Hussein cresceu no decorrer da década de 1970, até que ele deu golpe de Estado e assumiu a Presidência do Iraque como ditador, em 1979, mesmo ano em que, no vizinho Irã, o aiatolá Khomeini fez a revolução dos xiitas (muçulmanos historicamente mais ortodoxos e tradicionalistas que os seus opositores, os sunitas).

No ano seguinte, Saddam invadiu esse país e começou a maior guerra da década, que se arrastou até 1988. O Iraque foi estimulado e armado pelos Estados Unidos, enquanto a União Soviética (URSS) apoiava o Irã. Também intervieram a Arábia Saudita e o Egito, com receio de que a revolução fundamentalista islâmica xiita se espalhasse por outros países do Oriente Médio. O confronto nessa região produtora de petróleo deixou um milhão de mortos, dois milhões de feridos e um prejuízo de 400 bilhões de dólares.

Saddam protagonizou um novo conflito internacional ao invadir outro vizinho, o Kuait, em 1990, por divergências em relação à política de preços do petróleo e antigas questões, como o controle de portos que lhe dariam novo acesso ao Golfo Pérsico. O território iraquiano foi bombardeado pelas forças de 30 países, lideradas pelos Estados Unidos, na Operação Tempestade no Deserto, em janeiro de 1991. Depois de mais de 100 mil mortes, o cessar-fogo foi assinado no mês seguinte.

Com o fim desse episódio, chamado de Guerra do Golfo, eclodiram revoltas de curdos - um dos povos mais antigos do mundo - no norte do Iraque, e de xiitas ao sul, contra o regime de Saddam - que as reprimiu com violência.

Pressionado pela Organização das Nações Unidas, a ONU, o ditador começou a negociar com os dirigentes curdos um projeto de autonomia para o Curdistão: a região abrange, além do norte do Iraque, partes da Turquia, do Irã, da Síria e da Armênia.

Os problemas com os Estados Unidos e seus aliados prosseguiram após a Guerra do Golfo, causados pelas violações ao acordo de cessar-fogo.

Saddam se comprometera a reconhecer as fronteiras do Kuwait, suspender a perseguição aos xiitas e curdos e permitir a inspeção e destruição de suas instalações de armas químicas, biológicas e nucleares. Não foi assim: ele impediu, em 1993, a entrada de inspetores de armamentos da Comissão Especial das Nações Unidas (Unscom).

Com o risco de nova ação militar, Saddam retirou tropas da fronteira do Kuwait, em 1994, e reconheceu a soberania da nação vizinha. Dois anos depois, o Iraque, sob embargo comercial imposto pela ONU, por influência dos Estados Unidos, voltou a vender petróleo: a cada seis meses, podia exportar uma cota de óleo para comprar comida e remédios para a população, reduzida à miséria.

Mesmo assim, Saddam ordenou a construção de um monumento em Bagdá para celebrar a Guerra do Golfo, além de encomendar um novo hino nacional.

Voltou a ser atacado, em 1998, pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido com o objetivo de "debilitar a capacidade iraquiana de produzir e usar armas de destruição em massa". O mesmo argumento foi usado cinco anos depois, por esses dois governos, em março de 2003, para invadir o país e assumir o controle de suas reservas de petróleo.

Em 20 de março de 2003, a coalizão anglo-americana iniciou a intervenção militar no Iraque, sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU. O paradeiro de Saddam ficou desconhecido durante vários meses até que, em 13 de dezembro de 2003, o ditador foi localizado escondido num buraco subterrâneo uma fazenda da cidade de Adwar, próxima a Tikrit.

Em 1º de janeiro de 2004, o Pentágono o reconheceu como "prisioneiro de guerra", e, em 30 de junho, transferiu sua custódia judicial ao novo Governo provisório iraquiano. Em 19 de outubro de 2005, um Tribunal Especial iraquiano iniciou o processo contra o ex-ditador, acusado de violações dos Direitos Humanos, incluindo crimes de guerra, contra a humanidade e genocídio. Durante os depoimentos, Sadam rejeitou as acusações e defendeu a invasão iraquiana no Kuwait.

Em 5 de novembro de 2006, um ano e 15 dias após o início de seu julgamento, Saddam Hussein, 69, foi condenado à forca, considerado culpado do massacre, em 1982, de 148 xiitas no povoado de Dujail (sul do Iraque). Saddam já havia declarado que preferia o pelotão de fuzilamento, para morrer como um militar.

A sentença pôs fim a um julgamento marcado pelo assassinato de três advogados de defesa, a troca do juiz-chefe e sucessivos adiamentos. Nações e entidades contrárias à pena de morte - como a União Européia, o Vaticano e a ONU - se manifestaram contra a sentença e a defesa do ex-ditador pretendia alterá-la para a prisão perpétua.

Saddam Hussein foi enforcado em 30 de dezembro de 2006, aos 69 anos.

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