Médium Brasileiro
Chico Xavier
02/04/1910, Pedro Leopoldo, Minas Gerais
30/06/2002, Uberaba, Minas Gerais
Da Redação
Em São Paulo
O dia 30 de junho de 2002, no Brasil, foi marcado por uma notícia muito alegre e outra muito triste. Devido ao fuso horário (12 horas de diferença), na manhã daquele domingo milhões de brasileiros foram às ruas para comemorar a conquista do pentacampeonato mundial da Seleção Brasileira, que venceu a Alemanha por 2 a 0, em Tóquio.
À noite, em Uberaba (MG), morreu aos 92 anos o mais conhecido médium brasileiro e um dos mais respeitados do mundo: Chico Xavier. O líder espírita, que foi encontrado desfalecido por Eurípedes Humberto, seu filho adotivo, morreu em conseqüência de uma parada cardiorrespiratória.
Sua morte foi o final de quase cinco anos de problemas cardíacos e pulmonares. Com o agravamento de sua situação, Chico Xavier deixou de fazer uma das coisas que mais gostava: atender pessoalmente ao público no Centro Espírita Casa da Prece, um templo localizado em Uberaba (MG), cidade que escolheu para morar na década de 50. O seu último dia de vida foi rotineiro.
Acostumado a sempre acordar cedo, o médium tomou café da manhã, conversou com familiares e pediu para ficar sozinho. Não assistiu à partida final da Copa do Mundo, mas quis saber o resultado. Por volta das 19h, deitou-se para dormir e, como sempre fez nos últimos 70 anos, ergueu as mãos para o alto e rezou. Pouco tempo depois, morreu.
Francisco de Paula Cândido (mais tarde, herdou o Xavier de seu pai) nasceu no dia 2 de abril de 1910, na pequena cidade de Pedro Leopoldo, Minas Gerais. Desde a infância, Chico Xavier, como ficou mundialmente conhecido, dizia que ouvia vozes em momentos especiais. No começo da adolescência, deixou o catolicismo e passou a freqüentar o espiritismo.
Quando tinha 5 anos, Chico Xavier perdeu a sua mãe, Maria João de Deus e foi morar com Maria Rita de Cássia, sua madrinha. Em 1925, começou a trabalhar no comércio de Pedro Leopoldo, primeiro como auxiliar de cozinha e, posteriormente, como vendedor. Sua primeira experiência na doutrina espírita aconteceu no dia 7 de maio de 1927, quando sua irmã Maria Xavier Pena, desenganada pelos médicos, foi levada para a casa de uma família espírita. Ao lado de familiares, Chico Xavier rezou no leito da irmã, que se curou.
A partir daí, começou a freqüentar reuniões espíritas. Em julho de 1927, psicografou pela primeira vez 17 páginas que receberam a assinatura de "Um espírito amigo". Nessa época, final da década de 20, intensificou o seu contato com o espiritismo, publicando mensagens psicografadas no matutino carioca "O Jornal".
Em 1931, psicografou pela primeira vez um poema com a assinatura de um morto: o poeta fluminense Casimiro Cunha (1880 - 1914). No ano seguinte, editou o seu primeiro livro, "Parnaso de Além-túmulo", uma coletânea de 59 poemas assinados por 14 grandes poetas brasileiros já falecidos: Castro Alves, Casimiro de Abreu, Augusto dos Anjos, Guerra Junqueiro, entre outros.
A partir daí, Chico Xavier iniciou uma intensa carreira literária, escrevendo e publicando livros que, de acordo com o médium, eram ditados por espíritos identificados como "Emmanuel", "André Luiz" e autores consagrados já mortos, como Olavo Bilac e Castro Alves. Em quase 70 anos de vida literária, foi o autor (ou psicógrafo) de 412 livros.
Já famoso, o médium percorreu todo o Brasil para pregar a sua doutrina. Também participou de conferências internacionais realizadas nos Estados Unidos e em diversos países da Europa. Seu nome chegou a ser indicado por diversas organizações internacionais para receber o Prêmio Nobel da Paz. Em 2000, Chico Xavier foi eleito o "Mineiro do Século" em uma votação popular, organizada por uma emissora de televisão.
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