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Biografias

Publisher da Folha

Octavio Frias de Oliveira

5/8/1912, Rio de Janeiro (RJ)
29/4/2007, São Paulo (SP)

Da Redação
Em São Paulo

Niels Andreas - 25.mai.1998/ Folha Imagem

Niels Andreas - 25.mai.1998/ Folha Imagem

O publisher Octavio Frias
no centro gráfico da Folha

O empresário Octavio Frias de Oliveira comprou o jornal Folha de S.Paulo quando já estava com 50 anos, e montou, ao longo das quatro décadas seguintes, um dos maiores e mais influentes grupos de comunicação do país. O grupo Folha inclui o UOL, três jornais (Folha de S.Paulo, Agora e Valor Econômico, este em sociedade com as organizações Globo), um instituto de pesquisas (Datafolha) e a sociedade numa grande gráfica (Plural).

Mesmo com mais de 90 anos, já afastado da administração cotidiana dos negócios, que passou para os filhos Otavio e Luís, Octavio Frias mantinha-se ativo no jornal, discutindo o conteúdo dos editoriais da publicação que, desde 1986, detém a liderança entre os jornais no mercado brasileiro.

Octavio Frias de Oliveira comandou o processo que levou a Folha a assumir um papel central na circulação de idéias no período de abertura, durante o regime militar no Brasil. Em 1975, sob a direção do jornalista Claudio Abramo, que entrara na empresa dez anos antes, o jornal adotou uma série de mudanças editoriais que teriam forte impacto na vida política do país. Apesar das pressões, essas mudanças se consolidaram e culminaram na relevância que a Folha alcançou durante a campanha das Diretas-Já, na virada de 1983 para 1984.

A empresa Folha da Manhã S/A, que edita a Folha, fundada em 1921, havia sido comprada em 1962 por Frias e Carlos Caldeira de José Nabantino Ramos. Frias e Caldeira, que foram sócios até os anos 1990, já eram parceiros no empreendimento da antiga estação rodoviária de São Paulo, que funcionou na região da Luz (centro) até 1982, quando foi inaugurado o Terminal Rodoviário do Tietê.

Octavio Frias de Oliveira, o oitavo filho (de nove, entre irmãos e irmãs) de Luiz Torres de Oliveira, então juiz em Queluz (SP), e Elvira Frias de Oliveira, nasceu no Rio de Janeiro em 5 de agosto de 1912. Morreu em São Paulo, em 29 de abril de 2007, aos 94 anos.

Quando tinha 7 anos, a mãe morreu, após uma série de cirurgias. Neste momento, a família já vivia em São Paulo e Luiz Torres de Oliveira trocara o posto de juiz pelo de administrador do bairro operário Maria Zélia, na zona leste de São Paulo, construído pelo empresário Jorge Street, casado com uma tia de Elvira.

Em 1926, Octavio começou a trabalhar como office-boy na Companhia de Gás. Lá ficou até o início dos anos 1930, quando a habilidade com as máquinas de calcular de então o levou à Recebedoria da Fazenda do governo do Estado.

Em 1946, Octavio aceitou proposta de Orozimbo Roxo Loureiro e participou da formação do BNI, inicialmente Banco Nacional Imobiliário e depois Banco Nacional Interamericano. Com o BNI, Frias atuou em muitos projetos imobiliários, entre eles o Copan, assinado por Oscar Niemeyer. O projeto foi lançado em 1951 e a construção começou em 1952, visando ao Quarto Centenário de São Paulo, em 1954.

Em 1955, Octavio Frias, andando a cavalo, sofreu um acidente grave. Caiu do animal e lesionou a coluna. Ficou engessado por seis meses. Mesmo engessado, Frias podia dirigir seu automóvel. E, em 13 de março do mesmo ano, bateu o carro num caminhão parado, sem sinalização, na pista da rodovia Presidente Dutra. No veículo, viajavam também Zuleika, sua primeira mulher, a empregada Ana, José (irmão de Frias) e um sobrinho. Zuleika e José morreram.

O BNI já vivia uma crise, e Frias, por divergências com o sócio, acabou se afastando do banco, que seguiu administrado por Roxo Loureiro. Sem liquidez, o BNI terminou por sofrer intervenção do governo e foi comprado pelo Bradesco de Amador Aguiar.

Quando se afastou do BNI, Frias assumiu a administração da Transaco, uma empresa sua que ficara sob administração de um parente. A Transaco vendia assinaturas da Folha e, sob o comando de Octavio, a venda pulou de 150 a 300 assinaturas por mês para 6 mil assinaturas permanentes da Folha por mês, o que o levaria a se aproximar de Nabantino Ramos.

Na Transaco, Octavio conheceu Dagmar de Arruda Camargo. Meses depois, ela separou-se e foi morar com Frias, com quem formalmente se casou em 1965, após ficar viúva. Dagmar tinha uma filha, Maria Helena, do primeiro casamento. Com Frias, teve mais três: Otavio, Maria Cristina e Luís.

Otavio Frias Filho é o diretor de Redação da Folha desde 1984. Luís Frias tornou-se o principal executivo do Grupo Folha em 1990. Maria Cristina Frias também se tornou jornalista.

  • Leia a cobertura da morte do publisher no UOL

  • Leia sobre o livro "A Trajetória de Octavio Frias de Oliveira"

  • Leia a resenha da segunda edição do livro

  • Veja fotos da vida do empresário
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