Karl Friedrich Philipp von Martius formou-se em medicina e dedicou-se às ciências naturais. Em 1817, integrou a missão científica enviada ao
Brasil pelos governos bávaro e austríaco, encarregando-se da seção de botânica, enquanto
Johann Baptist von Spix (1781-1826) chefiava a parte de zoologia.
Martius percorreu o Brasil durante três anos, chegando até o alto Amazonas, reunindo material que lhe permitiu publicar extensa e importante obra. De volta à
Alemanha, foi nomeado professor da Universidade de Munique (1826) e diretor do Jardim Botânico dessa cidade (1832).
Chegando ao
Rio de Janeiro a 15 de julho de 1817, Martius iniciou imediatamente expedições científicas nos arredores da capital. Seguiu para
São Paulo e, depois, permaneceu vários meses na província de
Minas Gerais.
Martius internou-se no sertão, fazendo contato com índios antropófagos e, subindo o
rio São Francisco, chegou ao interior de
Goiás. Atravessou a
Bahia,
Pernambuco e, transpondo a Serra Dois Irmãos, visitou as províncias do
Piauí e
Maranhão. A seguir, partindo de Belém do
Pará, subiu o
rio Amazonas, terminando sua viagem em Santarém, de onde embarcou para a
Europa.
No decorrer dessa viagem, Martius reuniu cerca de 6.500 espécies de plantas, sem contar o material etnográfico e filológico que a ele igualmente se deve. A principal coleção de plantas está conservada no Museu Real de Munique.
Obra monumental
Como resultado da longa expedição ao Brasil, Martius publicou, junto com Spix, a obra
Viagem ao Brasil. Tendo sobrevivido ao zoólogo por quarenta anos, Martius pôde, além dessa obra, dedicar ao Brasil vasta e proveitosa atividade científica.
A maior realização desse notável botânico foi a monumental
Flora Brasiliensis, que iniciou em 1840 e dirigiu até 1868. Depois de sua morte, a obra foi continuada por outros colaboradores, sendo concluída em 1906. Em 15 volumes, com 20.773 páginas, e 3.811 gravuras, classifica 850 famílias com mais de 8 mil espécies descritas. Contribuíram para sua publicação Fernando 1º, imperador da
Áustria, Luís 1º, rei da Baviera, e
Pedro 2º, imperador do Brasil.
Com os dados obtidos no Brasil, Martius publicou também:
História natural das palmeiras;
Novos gêneros e espécies de plantas;
Desenhos selecionados das plantas criptogâmicas brasileiras; e
Sistema dos remédios vegetais brasileiros.
Martius também contribuiu para o estudo da etnografia e da linguística indígenas com as obras
Contribuição para a etnografia e a linguística da América, especialmente do Brasil e
Glossário das línguas brasileiras, reunindo os termos indígenas colhidos por Spix.
Enciclopédia Mirador Internacional; Oxford Dictionary of Scientists
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