
Logotipo da entidade que provê os recursos do governo |
Nesse grupo de nações ricas, há várias que têm carga inferior à brasileira, como os Estados Unidos (25,77%), o Japão (26,28%) e a Austrália (30,68%). Só na Europa existem cargas tributárias maiores do que a nossa: Suécia (51,35%), Dinamarca (49,85%) Bélgica (46,85%) e França (45,04%).
De acordo com o Código Tributário Nacional (lei 5.172/1966, alterada pela lei complementar 118/2005), "tributo" é "uma prestação pecuniária compulsória em moeda", ou, trocando em miúdos, um pagamento obrigatório que o cidadão deve prestar ao Estado, que só pode ser estabelecido através de leis. O mesmo código estabelece que no Brasil há três tipos de tributo:
Eles geralmente estão embutidos nos preços dos produtos e todos nós os pagamos, muitas vezes sem saber que estamos pagando. A Constituição Federal, de 1988, em seu artigo 150, parágrafo 5º. diz que o contribuinte deveria ser informado sobre esses impostos, mas inexiste até hoje legislação específica para regular a matéria.
De qualquer modo, para você ter uma idéia, saiba qual a porcentagem de impostos você paga cada vez que compra um dos produtos abaixo, escolhidos aleatoriamente:
| Café | 36,52% |
| Refrigerante | 47% |
| Leite longa vida | 33,63% |
| Biscoitos | 38,5% |
| Shampoo | 52,33% |
| Creme dental | 42% |
| Carne | 18,67% |
Mas não pense que os impostos estão embutidos somente no preço dos produtos: eles também estão embutidos nos preços de serviços. No total de uma conta de luz, por exemplo, 45,8% são impostos. E eles também estão presentes nos preços dos combustíveis, tarifas telefônicas, etc.
Vale a pena uma visita ao site da instituição só para olhar o "impostômetro", uma espécie de taxímetro que mostra quanto de impostos os brasileiros estão pagando a cada segundo. Contudo, nem só de impostos, taxas e contribuições de melhorias vive a arrecadação do governo.
Era o caso da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) que foi criada em 1996 para socorrer o Ministério da Saúde. Sua provisoriedade, porém, estendeu-se até dezembro de 2007 e sua finalidade foi completamente esquecida. São semelhantes a ela a Confins (Contribuição para o Finaciamento da Seguridade Social) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). Em outras palavras, em sua natureza, essas contribuições são impostos sim - só que disfarçados...
Diante disso tudo, é inevitável a pergunta: mas por que o brasileiro paga tanto imposto? Em primeiro lugar, a resposta já está na própria definição de imposto. Paga para sustentar o Estado, ou seja, as despesas do governo. E o problema é que o governo brasileiro (nos níveis federal, estadual, municipal) até o momento não consegue controlar suas despesas.
Já na educação secundária as aplicações brasileiras ficam acima apenas de países como Botsuana, Guatemala, Quênia e Indonésia. A distorção se torna mais gritante quando se vêem os gastos com ensino universitário, em que o Brasil consome mais recursos do que o Reino Unido, a Finlândia e a Alemanha. Desvios como esses também ocorrem na área da saúde e revelam que estamos no campo das constatações objetivas e não das simples opiniões.
Para isso, entre outras coisas, é importante combater as fraudes com recursos públicos. Nesse sentido, não estamos nos referindo somente a fenômenos de corrupção política como o "mensalão". Simon Silva Silber, um dos economistas responsáveis pela pesquisa da Fipe, por exemplo, declara que "aproximadamente 1 milhão de pessoas que já morreram continuam recebendo aposentadoria".
Como será a reforma tributária, como o governo há de cortar despesas e se tornar mais eficiente? Essas já são outras questões e, para elas, há diversas respostas e propostas que estão muito além do que se pretendia expor aqui.
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