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Monotremados

Mamíferos ovíparos só existem na Oceania

Alice Dantas Brites*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Divulgação/WWF

A equidna possui a região dorsal recoberta por pêlos marrons e espinhos duros e compridos

Os monotremados são mamíferos pertencentes à subclasse Prototheria e à ordem Monotremata. A ordem é dividida em duas famílias, uma à qual pertence o ornitorrinco (Ornithorhynchidae), e outra que inclui as equidnas (Tachyglossidae). Esses animais ocorrem apenas na Oceania (Austrália e Nova Guiné) e são representados só por cinco espécies: o ornitorrinco (Ornithorhynchus anatinus) e quatro equidnas (Tachyglossus aculeatus, Zaglossus attenboroughi, Z. bartoni, Z. bruinji).

O local e o período no qual os monotremados surgiram ainda é incerto, mas acredita-se que tenha sido na Austrália, há mais de 180 milhões de anos. O registro mais antigo é o fóssil de um pedaço de maxilar de cerca de 100 milhões de anos, que foi descoberto na Austrália.

Características gerais

Esses mamíferos são muito diferentes, pois, assim como os répteis e as aves, eles colocam ovos. Além disso, possuem focinhos ou bicos altamente especializados e, quando adultos, não possuem dentes. No entanto, eles possuem características típicas de mamíferos, como a presença de pêlos e de glândulas mamárias.

O nome Monotremata vem da palavra grega monotreme, que significa "abertura única". Este nome foi escolhido porque, nesses animais, os sistemas digestivo, urinário e reprodutivo compartilham uma única abertura, a cloaca.

Embora os monotremados sejam ovíparos, o ovo, diferentemente das aves e dos répteis, permanece um longo período dentro do corpo da fêmea, da qual recebe nutrientes. Após o nascimento, há um longo período de cuidado parental.

Os mamilos não são bem definidos e o leite produzido pelas glândulas mamárias é expelido através de pequenas aberturas na pele da região ventral da fêmea.

Ornitorrinco

Os ornitorrincos vivem em ambientes semi-aquáticos de água doce. Podem ser facilmente reconhecidos pelo bico parecido ao de um pato, as patas em forma de pás e a larga cauda.

Esses animais possuem um sistema eletrorreceptor, ou seja, um mecanismo de percepção sensorial capaz de captar ondas eletromagnéticas do ambiente, similar ao encontrado em algumas espécies de peixes. Nas patas traseiras dos machos existem esporões venenosos. Os ornitorrincos pesam de 0,5 a 2,0 quilos e podem atingir até meio metro de comprimento.

Eles passam grande parte da vida dentro da água, saindo apenas para cavar os ninhos e colocar os ovos. São capazes de ficar até cinco minutos submersos e enquanto estão mergulhando seus olhos e ouvidos permanecem fechados. Com os bicos, os ornitorrincos reviram a lama no fundo dos rios, em busca de alimento. Entre suas presas preferidas estão pequenos peixes, girinos e crustáceos.

Ritual complexo

O acasalamento dos ornitorrincos segue um ritual complexo e, até hoje, ocorreram apenas dois nascimentos em cativeiro. As fêmeas só se reproduzem a partir dos dois anos de idade e, muitas delas, se reproduzem um ano sim, outro não. Durante a corte o macho anda em círculos ao redor da fêmea, dando pequenas mordidas em sua cauda.

Cerca de 28 dias após o acasalamento o ornitorrinco começa a cavar buracos na terra, preparando os ninhos que abrigarão os ovos. A fêmea põe de um a três ovos de cada vez. O ovo passa cerca de 28 dias dentro do útero e é incubado externamente por apenas 10 dias. Em comparação, o ovo de uma galinha passa apenas um dia no trato reprodutivo e é chocado por 20 dias.

Os filhotes são amamentados até os três ou quatro meses de idade e atingem a maturidade aos dois anos. Os ornitorrincos podem viver até 15 anos.

Equidna

As equidnas possuem a região dorsal recoberta por pêlos marrons e espinhos duros e compridos, geralmente de coloração amarelada. Na verdade, o que chamamos de espinhos nas equidnas são pêlos modificados e endurecidos. Estes pêlos se inserem numa camada muscular, abaixo da epiderme, o que permite que tenham uma grande mobilidade.

As patas são curtas e terminam em longas unhas. Os machos, assim como os ornitorrincos, possuem esporões venenosos nas patas traseiras. O focinho é comprido e a língua é longa e pegajosa. As equidnas pesam de 2 a 10 quilos e atingem até um metro de comprimento.

As equidnas são animais terrestres e podem ser encontradas vivendo tanto em florestas como em regiões desérticas. Costumam cavar túneis subterrâneos, nos quais se abrigam durante o dia. À noite elas saem para se alimentar. A equidna se alimenta de forma parecida a um tamanduá. A língua se estica por mais de 20 centímetros e as presas grudam em sua superfície. Entre as preferidas estão formigas, cupins e minhocas.

Cuidado com os espinhos!

As equidnas se reproduzem na primavera. Durante o acasalamento, todo o cuidado é pouco para que o casal não se machuque com os espinhos! Eles se posicionam ventre com ventre, apenas com a abertura da cloaca em contato.

A gestação leva cerca de 23 dias e a fêmea coloca apenas um ovo por vez. O ovo é incubado por 10 dias, numa bolsa existente na região ventral das fêmeas. O recém-nascido não possui pêlos nem espinhos. As equidnas podem carregar seus filhotes por pouco mais de 50 dias ou até que seus espinhos se desenvolvam. Após esse período, a mãe coloca o filhote num ninho cavado na terra e o amamenta até os sete meses de idade.

A vida média de uma equidna é de cerca de 15 anos. Há, porém, um relato de um animal que atingiu, em cativeiro, 50 anos de idade.




*Alice Dantas Brites é professora de biologia.

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