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Ciências

Dinossauros

Seus descendentes têm bicos e penas e estão voando por aí

Mariana Aprile*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Reprodução

Dinossauros e aves têm um passado em comum

Até pouco tempo, pensar em dinossauros equivalia a imaginar répteis enormes como o Tiranossauro. Quem diria que aqueles enormes comedores de carne se transformariam nas aves? Isso mesmo! Ao longo de milhões de anos, os dinossauros carnívoros modificaram-se e adaptaram-se de tal forma que sobrevivem até os dias de hoje, mas em um novo formato: eles são as aves de agora.

Um cientista inglês chamado Thomas Huxley foi quem primeiro teve essa idéia - e não foi levado a sério. Quando, em 1868, ele afirmou o parentesco das aves com os dinossauros, a maioria dos cientistas achou graça. Huxley mostrou diversas características em comum entre um pequeno dinossauro, o Compsognathus com o Archaeopteryx, até então considerado a ave mais antiga conhecida.

Mas estudos posteriores - realizados principalmente por cientistas que gostariam que Huxley estivesse errado -, mostraram que o Archaeopteryx era na verdade um réptil - e não uma ave. Sua classificação como ave primitiva deve-se ao fato de que esse animal tinha penas. E essa era, segundo se acreditava então, uma característica só das aves. Hoje se sabe, pelo estudo dos registros fósseis, que muitos dinossauros desenvolveram penas durante sua evolução.

Desenhando a evolução
A evolução dos animais, inclusive a dos dinossauros, pode ser visualizada na forma de uma árvore: o tronco simboliza os animais ancestrais. Conforme as modificações vão aparecendo nos grupos dos seres vivos (e isso demora milhões de anos), estes vão se dividindo, formando os galhos - cada galho representa um grupo de animais.

Quando um galho se quebra ou apenas pára de crescer, isso significa a extinção de um grupo. Outro que continua a crescer e a se ramificar é um grupo que continuou a evoluir. Dessa forma, o galho Archaeopteryx parou de crescer, enquanto o dos dinossauros saurísquios (como se chamam os ancestrais das aves) continuou a se desenvolver.

Paleontologia
Paleontologistas, ou paleontólogos, são cientistas que estudam as formas de vida existentes em períodos geológicos passados, a partir dos seus fósseis. O nome dessa ciência é paleontologia.

Cem anos depois de Huxley, o paleontologista John Ostrom fez descobertas que apontavam o parentesco entre as aves e os dinossauros. Ele mostrou aos outros cientistas, na década de 1960, que as aves e os dinossauros têm realmente diversas características em comum, como por exemplo, o ossinho da sorte no peito, chamado científicamente de osso em fúrcula.

Um grupo muito especial
Mais recentemente, nos anos 1990, um outro paleontólogo chamado Kellner, descobriu vários fósseis de dinossauros na China, datados do período Cretáceo Inferior, há 65 milhões de anos. Faz tempo, não? Também foi nessa época que viveu o Tiranossauro - e quando se acredita que tenha caído na Terra o asteróide que provocou a mudança climática no planeta e a extinção de várias espécies de vida.

Mas, voltando aos fósseis "chineses": eles acabaram com as dúvidas sobre os dinossauros terem evoluído a ponto de se tornarem aves. Após muitos estudos e anos de pesquisas, os cientistas concluíram que as aves são um grupo muito especial de dinossauros. Então, os galináceos, o avestruz, o pardal e todas as outras aves que existem, são o resultado de milhões de anos de adaptação evolutiva de um ramo dos dinossauros.

Características comuns
Isto é, da mesma forma que o cachorro e o macaco têm características que os classificam como mamíferos, as aves e os dinossauros pertencem à mesma família, a dos arcossauros (nome que significa réptil dominante). O que têm as aves em haver com os répteis? Elas têm características comuns com esses animais e são uma evolução de um grupo de répteis - os dinossauros terópodes.

Se não fosse pela ciência, não seria possível saber que os dinossauros, de uma certa forma, continuam vivos e servem até alimento para os seres humanos. Tenho certeza de que, a partir de agora, você vai encarar um filé de frango de uma outra maneira, não é mesmo?

*Mariana Aprile é estudante de biologia na Universidade presbiteriana Mackenzie e bolsista de Iniciação Científica do Mackpesquisa (PIBICK).
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012
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