"Lan house", computador popular e ensino a distância
Por Engel Paschoal
Uso computador há mais de 30 anos. As "lan houses" existem há uns cinco. Até dois meses atrás, eu jamais havia entrado em uma. Apesar de obrigado, ultimamente tenho ido com freqüência a uma delas.
A primeira vez porque roubaram os fios da companhia telefônica na madrugada de um domingo para segunda-feira e fiquei cinco dias sem telefone e sem Internet. Ia todo dia à "lan house" para me manter em contato com o mundo.
Dias depois, houve o apagão do acesso à internet. E lá fui eu de novo. Mas acabei tendo uma grata surpresa: o preço. Em geral, as "lan houses" cobram R$ 2,50 ou R$ 3,00 a hora. Às vezes, fazem promoções: R$ 1,50 a hora; descontos após determinado número de horas de uso; cinco horas grátis depois da primeira paga, no dia do seu aniversário etc.
Comecei a fazer contas. Temos dois computadores, a cerca de R$ 4 mil cada um. Antivírus, R$ 20,00 por mês. Banda larga, R$ 90,00 por mês. Manutenção técnica, R$ 240,00 mensais. E a cada quatro, no máximo, cinco anos, temos que trocar os computadores. Sem falar nos softwares, que de vez em quando somos obrigados a atualizar. A única vantagem de ter computador é o conforto.
O popular de US$ 100
Acompanho pela imprensa, desde 2001, a história do computador popular. No final de abril daquele ano, o então ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, falava num computador que seria lançado comercialmente no segundo semestre ao preço equivalente a US$ 250,00 (R$ 550,00, de então).
Mas, naquele mesmo abril de 2001, a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) "estudou, a pedido do governo, o custo mínimo de produção de um computador pessoal e chegou à cifra de R$ 1.200,00". Ou seja, mais que o dobro dos R$ 550,00.
Em maio de 2001, o SBT e a Microsoft lançaram o "PC do Milhão", aproveitando um programa do Sílvio Santos, com preço à vista de R$ 1.928. Já superava o da Abinee em R$ 728,00 e era quase quatro vezes os R$ 550,00 do de Pimenta da Veiga. Se fosse financiado em até 36 meses no banco do Sílvio, com juros de 3,2% ao mês, cada computador iria para R$ 3.276,00.
Sete anos depois, em fevereiro de 2008, ficamos sabendo que o projeto do PC popular a US$ 100 deu em nada. Lula cancelou o pregão para compra de 150 mil computadores, porque o governo não conseguiu reduzir o valor do menor lance, de US$ 360. Com o dólar beirando na época os R$ 1,75, o preço era de R$ 630,00, só R$ 80,00 a mais do que os R$ 550,00 do Pimenta da Veiga, e menos da metade dos R$ 1.200,00 da Abinee. Contando a inflação do período, até que não era demais.
Agora no início de julho, foi noticiado que Lula desistiu de vez do projeto de comprar um computador para cada aluno da rede pública. Ficou caro demais e "teria menos eficiência do que instalar laboratórios de informática nas 55 mil escolas públicas do país". E um ministro chegou à mesma conclusão que eu: os laboratórios poderiam funcionar como "lan houses" inclusive porque poderiam ser usados também fora do horário escolar.
Ensino a distância
Até 5 de agosto estão abertas as inscrições para o curso de aperfeiçoamento "Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes (VDCA)? Boa Pergunta!", da Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul/SP). O curso é dirigido a profissionais e a estudantes de graduação de penúltimo e último ano (em 2008) de todo o Brasil.
Com duração de três meses, ou 180 horas, será totalmente virtual. A aprovação em cada um dos três módulos dará direito a um certificado específico, além do certificado final. A modalidade "Aperfeiçoamento" dispensa credenciamento do MEC.
O curso será ministrado pela dra. Maria Amélia Azevedo, professora titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (Ipusp) e coordenadora do Laboratório de Estudos da Criança (Lacri/Ipusp). Planejado, segundo ela, para deixar trilhas em cada comunidade ou região, o curso é absolutamente inédito.
O custo é de R$ 350,00 e ninguém precisa ter computador: numa "lan house" as 180 horas devem ficar no máximo em outros R$ 350,00. Mais informações no site http://www.unicsulvirtual.com.br; pelo fone 0800 7706 789 ou pelo e-mail suporteead@unicsul.br.
Com Lucila Cano
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