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Poluição sempre matou, mata e continuará matando

Por Engel Paschoal
"Poluição mata" foi o título do primeiro texto que escrevi a respeito neste espaço, em 14 de outubro de 2002, com base em diversas pesquisas. Uma delas, do jornal médico The Lancet, revelava que a poluição do ar era responsável por ao menos 6% de todas as mortes ocorridas na Europa. Foram analisadas as causas das mortes na França, Suíça e Áustria, países onde 40 mil pessoas morriam por ano em decorrência das pequenas partículas de sujeira emitidas por carros, ônibus e caminhões.

"Calculamos que hoje em dia morram mais pessoas por causa da contaminação ambiental do que por acidentes de trânsito", comentava Devra Lee Davis, autora de estudo publicado na Revista Science em 2001 e professora da Escola Heinz da Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh (EUA). A pesquisa foi realizada na cidade de São Paulo (Brasil), Cidade do México (México), Santiago (Chile) e Nova York (EUA). E concluiu que a adoção de novas tecnologias limitantes para o uso de gases seria capaz de salvar 64 mil vidas nos próximos 20 anos nas quatro cidades. Além disso, impediria 65 mil casos de bronquite crônica, 91 mil internações e 37 milhões de faltas no trabalho. Dizia ainda que a redução de 10% na queima de combustíveis fósseis evitaria, até 2020, 29 mil mortes na Cidade do México e mais 11 mil em São Paulo.

Na época, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), 3 milhões de pessoas morriam por ano devido à poluição atmosférica. Era o triplo das mortes anuais em acidentes automobilísticos.

Morrer mais cedo em São Paulo
De 2006 a 2007, aumentou em 54% o número de vezes em que a qualidade do ar estava imprópria na cidade.

De acordo com o Instituto Akatu (19/9/07), que prega o consumo consciente, "uma pessoa que vai para o trabalho de carro contribui para o aquecimento global, em dois dias, o mesmo que se tivesse feito essa trajetória de metrô durante um mês inteiro. Isso porque, para andar um quilômetro, um carro popular a gasolina emite aproximadamente 150 gramas de dióxido de carbono, enquanto o metrô libera apenas 12 gramas".

Em 2008, pesquisadores da USP mostraram que, por dia, na cidade de São Paulo, "a poluição mata prematuramente 12 pessoas e produz 200 vítimas de pneumonia, infarto do miocárdio, asma, otite, entre outras doenças. É o suficiente para reduzir em um ano a expectativa de vida do paulistano".

Em março de 2009, saiu estudo dizendo que, na região metropolitana de São Paulo, a chance de morrer de doença cardiorrespiratória é de 10,9%. Sem as emissões veiculares, cairia a 2,4%. Em 2004, a poluição matava, indiretamente, 12 pessoas por dia na região.

Poluição dentro da própria casa
O Grupo de Trabalho Ambiental divulgou nos EUA, em julho de 2005, pesquisa mostrando que bebês estão absorvendo, ainda dentro do útero materno, substâncias químicas como mercúrio, subprodutos de gasolina e pesticidas.

O estudo era baseado em testes com dez amostras de sangue do cordão umbilical recolhidas pela Cruz Vermelha Americana, tendo sido encontradas em média 287 substâncias contaminantes. O sangue do cordão umbilical reflete o que a mãe passa para o bebê pela placenta. "Das 287 substâncias químicas que detectamos, 180 causam câncer em seres humanos ou animais, 217 são tóxicas para o cérebro e para o sistema nervoso e 208 causam defeitos de nascença ou desenvolvimento anormal em testes com animais," dizia o relatório (Akatu, 19/7/05).

E não foi a primeira vez que se falou do que a poluição faz nas pessoas, em especial as crianças. Em junho de 2004, a OMS lançou o Atlas da Saúde Infantil e o Ambiente, informando que a poluição matava 3 milhões de crianças por ano. E atenção: 1 milhão delas, ou seja, mais de 30%, eram vítimas de poluição do ar dentro da própria casa.

A OMS chamou a atenção do Brasil: aqui, em 27% das residências usamos combustíveis sólidos como madeira e carvão para cozinhar, o que é inadequado e prejudicial à saúde.

*Com Lucila Cano

Engel Paschoal

Jornalista é especialista em temas relacionados ao 3º setor.

E-mail: engelpaschoal@uol.com.br
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