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Maior escolaridade da mãe diminuiu desnutrição infantil

Por Engel Paschoal
Infelizmente, muita gente não sabe da importância da mãe na vida dos filhos. Pior: mesmo entre as mães, muitas não têm noção disso. Já sabíamos que, quanto mais escolarizada, mais a mãe contribui para a educação dos filhos. Agora sabemos que a queda na desnutrição infantil também se deve à maior escolaridade materna.

Isso foi revelado em pesquisa encomendada pelo Ministério da Saúde e coordenada pelo Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), que analisou o período 1996-2006.

A pesquisa mostrou que a maior escolaridade das mães foi o principal fator para a queda da desnutrição infantil no Brasil. Colaboraram para esse resultado o aumento da renda familiar, a melhora da rede pública de saúde e a expansão das redes de saneamento básico.

Queda desde 1975
No Brasil, a desnutrição infantil vem caindo desde 1975, quando atingia 37% das crianças. Em 1989, o índice já se reduzia a 19,8%. Em 1996, eram 13,5% as crianças entre zero e cinco anos que tinham desnutrição crônica, caracterizada por um crescimento abaixo do normal. Em 2006, eram apenas 6,8% as crianças desnutridas.

A pesquisa do Cebrap trouxe outra novidade. Em vez do Nordeste, tradicionalmente responsável pelo maior índice de desnutrição entre as crianças, a Região Norte passou a encabeçar o ranking, com 14%. De 1996 a 2006, o Nordeste baixou o seu índice de 22% para 6%.

Segundo a pesquisa, o que correspondeu a um terço do declínio da desnutrição infantil foi o nível de escolaridade das mães, sendo o aumento do poder aquisitivo das famílias responsável por quase outro terço dessa queda.

Em 1996, 28% das crianças eram filhos de mães com menos de quatro anos de escolaridade. Em 2006, esse número caiu para 11%. Por outro lado, enquanto em 1996 os filhos de mães com pelo menos oito anos de escolaridade eram 32%, em 2006 esse número havia subido para 62%.

É importante esclarecer que para os responsáveis pela pesquisa escolaridade implica na qualidade do cuidado materno. Quanto maior a escolaridade da mãe, mais ela sabe como buscar ajuda nos momentos em que o filho precisa de cuidados: na alimentação; vacinas que ele deve tomar; quando é para levá-lo ao posto de saúde etc.

Desnutrição entre mais ricos
Surpreendente foi descobrir que a desnutrição, apesar de percentualmente bem menor, também existe entre os filhos de pessoas consideradas de maior poder aquisitivo.

Em 1996, o problema da falta de alimentação adequada chegava a 30% entre os 20% mais pobres. Em 2006, o índice baixou para 11%. Em 10 anos, a desnutrição foi praticamente reduzida a um terço entre os de menor poder aquisitivo. Entre os mais ricos, era de 5% em 1996, e 4% em 2006. A queda de apenas 1% em 10 anos pode ser considerada nula, uma vez que toda pesquisa tem uma margem de erro para mais ou para menos. Assim, ainda termos 4% de crianças mal nutridas, não importa o poder aquisitivo de suas famílias, deveria ser fonte de preocupação.

De qualquer forma, o Brasil se saiu bem na comparação com países de PIB semelhante. A pesquisa usou dados de 88 países em desenvolvimento, incluindo o Brasil.

O México seria o país com PIB per capita mais próximo ao nosso. Lá, em 2006 a desnutrição infantil era de cerca de 13% das crianças, mais do que o dobro do que havia aqui.

*Com Lucila Cano

Engel Paschoal

Jornalista é especialista em temas relacionados ao 3º setor.

E-mail: engelpaschoal@uol.com.br
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