UOL EducaçãoUOL Educação
UOL BUSCA

PAIS E PROFESSORES > RESPONSABILIDADE SOCIAL E ÉTICA

Consumo de recursos naturais ameaça o planeta

Por Engel Paschoal
Em 15/3/04, escrevi aqui que o consumismo colocava as pessoas e o planeta em risco. Porque, "segundo a ONU, o mundo produz uma vez e meia a quantidade de alimentos que os seus 6,3 bilhões de habitantes precisam. Ou seja, a produção é suficiente para quase 9,5 bilhões de pessoas. No entanto, 840 milhões passam fome todo dia e 6 milhões de crianças até cinco anos morrem por ano de desnutrição, em especial na Ásia, África e América Latina. Mas há 300 milhões de obesos, sendo que, só nos EUA, 300 mil morrem por causa disso por ano, fazendo com que a obesidade custe US$ 117 bilhões anuais ao sistema de saúde norte-americano e já seja vista como doença".

Na época, eu perguntava se era possível produzir alimentos para uma população mundial em constante crescimento, sem esgotar os nutrientes do solo, nem destruir a cobertura florestal remanescente no planeta.

Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) estão provando que sim, de acordo com um boletim do Instituto Ethos (16/2/09), tendo como fonte o Envolverde, site ecológico.

Suíço mostrou o que a Bahia podia ter
Há 25 anos o suíço Ernst Götsch forma SAFs e ensina a desenvolvê-los na sua propriedade no Sul da Bahia. Ele une agricultura à formação de florestas e promove a recuperação de áreas degradadas com base na sucessão natural de espécies, que é o objetivo dos SAFs.

Ernst veio ao Brasil pela primeira vez nos anos 1960 e "ficou tão encantado com nossas riquezas naturais, quanto chocado com os danos provocados pelas monoculturas. Na década de 1980, mudou-se para a Bahia, onde começou a implantar sistemas agroflorestais. Com esse trabalho, ele adquiriu suas próprias terras, no município de Piraí do Norte, um solo pobre, sem serventia para a agricultura e, por consequência, muito barato".

Em menos de 20 anos, Ernst transformou totalmente o lugar, que passou a ter mais de 300 espécies por hectare, e garantiu nas suas terras um clima até cinco graus mais fresco que no resto da região.

Gastamos mais do que o planeta repõe
Apesar do Ernst, "a cada ano que passa, o consumo da humanidade supera mais rapidamente a capacidade de regeneração do planeta" (Instituto Akatu, que prega o consumo consciente, 27/2/08).

Em 6/10/07, faltando quase três meses para o "Réveillon", a humanidade já havia consumido todos os recursos naturais que o planeta seria capaz de repor naquele ano.

Foi 1987 o ano do primeiro "Ecological Debt Day", como é chamado o dia em que a humanidade passou a ficar em débito em relação ao meio ambiente. Naquele ano, o dia D aconteceu no meio de dezembro. Em 1995, ele pulou para 21 de novembro.

A cada ano o dia D chega mais cedo. O cálculo é feito pela ONG internacional "Global Footprint Network", do qual faz parte o ambientalista e conselheiro do Instituto Akatu, Fábio Feldman. Desenvolvido pelos pesquisadores Mathis Wackernagel e Willian Hees, o cálculo leva em conta a quantidade de água e de espaço físico necessários para o plantio, pastagem, pesca etc., que compõem a chamada "biocapacidade" do planeta. Isto é, a habilidade dos sistemas ecológicos de gerar recursos e absorver resíduos em determinado período.

Em termos globais, hoje, precisaríamos de 1,3 planetas Terra para manter os atuais padrões de consumo, sem comprometer a capacidade de renovação da natureza.

Infelizmente, o meu texto de 2004 estava certo. Seriam necessários muitos Ernst e em vários pontos do mundo para que a situação se revertesse. E, se em 25 anos, ainda não se tem notícia de outro, a ameaça vai ficando cada vez aterradora.

* Com Lucila Cano

Engel Paschoal

Jornalista é especialista em temas relacionados ao 3º setor.

E-mail: engelpaschoal@uol.com.br
Patrocinador
Embraer
Activa
Lição de Casa Dicionários

Aulete

Português

Houaiss

Português

Michaelis


Tradutor Babylon


Shopping UOL

Hospedagem: UOL Host