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Formare leva jovem direto da sala de aula para o emprego

Por Engel Paschoal
Em 2008, o Formare, programa da Fundação Iochpe de educação profissional para jovens de baixa renda, capacitou mais de 1,5 mil adolescentes em parceria com empresas credenciadas.

Criado em 1988 dentro das empresas Iochpe-Maxion S.A. em Canoas, RS, e São Bernardo do Campo, SP, o Formare já capacitou 6,5 mil jovens, sendo que cerca de 80% deles estão empregados porque saem das salas de aula com vagas garantidas. O programa se transformou na primeira franquia social do Brasil.

Até inglês e música
Segundo o Ministério do Trabalho, cerca de 150 mil jovens entre 14 e 24 anos estão contratados de acordo com a lei do Jovem Aprendiz. Atualmente ela determina que apenas as estatais e empresas públicas de médio e grande porte estão obrigadas a admitir os candidatos entre 14 e 24 anos. Isso dá uma dimensão do Formare: ele não faz parte do Aprendiz, mas corresponde a cerca de 4,5% do total do projeto do governo, sendo que atende apenas os entre 15 e 17 anos.

Segundo Beth Callia, coordenadora geral do Formare, "o Projeto Formare contribui para a melhoria da qualidade de vida desses jovens, pois, além da grande maioria conseguir o primeiro emprego logo após o término do curso, muitos ainda prosseguem os estudos de níveis técnico e universitário".

Os cursos oferecidos são de operador metalúrgico e serviços, assistente de produção e montagem mecânica, auxiliar de produção e logística, entre outros, além de aulas de empreendedorismo, inglês, música etc. Todos recebem os certificados emitidos pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná, vinculada ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) e que mantém convênio com a Fundação Iochpe desde 1995.

Para cada empresa e o mercado local
Os parceiros da Fundação Iochpe manteem, em suas unidades, espaços dedicados à capacitação dos jovens que recebem aulas ministradas, voluntariamente, pelos colaboradores das empresas.

São 70 escolas, 48 parceiros e 64 cursos, com 1.400 alunos em formação e 3.800 educadores voluntários, em 55 municípios de 10 Estados do Brasil. Há ainda uma escola na Argentina.

"Segundo pesquisas, aprendemos 70% do que discutimos com outros, 80% do que experimentamos e 95% do que ensinamos. Ao tornar-se educador do Formare, o colaborador da empresa passa por todas essas fases. Com dados dos nossos parceiros, pode-se comprovar que o desempenho do voluntário, dentro das suas atividades e, principalmente, em seu convívio com outros colaboradores, também melhora significativamente", diz Beth Callia.

Os cursos, com duração mínima de 800 horas/aula, são desenvolvidos pela equipe pedagógica do Formare de acordo com as características de cada empresa e a realidade do mercado de trabalho local. A orientação pedagógica baseia-se nas diretrizes do MEC, que prevê o desenvolvimento de competências e habilidades obtidas através da associação de teoria e prática.

Para fazer parte da Rede Formare, o parceiro precisa oferecer sala de aula com cerca de 60m², definir a equipe de coordenação e contribuir mensalmente para o Fundo de Desenvolvimento da Metodologia Formare. A empresa também se compromete a oferecer bolsa auxílio, alimentação, transporte, seguro de vida em grupo, assistência médica e odontológica, uniforme, material escolar, assistência social e psicológica.

Para ser aluno do Formare, além de ter entre 15 e 17 anos, o jovem deve cursar, no mínimo, o último ano do ensino fundamental, ter renda per capita familiar inferior a meio salário mínimo e não ter tido acesso a cursos profissionalizantes.

Veja o site do Formare aqui.

*Com Lucila Cano.

Engel Paschoal

Jornalista é especialista em temas relacionados ao 3º setor.

E-mail: engelpaschoal@uol.com.br
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