Campanha antiaborto: depoimentos e menina anencéfala
Por Engel Paschoal
Apesar da diferença de pouco mais de sete meses entre os casos, duas meninas, uma de nove anos e outra de um e oito meses, polarizaram a atenção dos que se posicionam contra ou a favor do aborto.
Nascida sem o cérebro em 20/11/06, em Patrocínio Paulista, SP, Marcela Ferreira de Jesus morreu em 2/8/08, um ano e oito meses depois, quando normalmente viveria apenas algumas horas.
Em 4/3/09, foi interrompida a gravidez da menina de nove anos, de Alagoinha, PE, estuprada pelo padrasto: numa maternidade vinculada à Universidade de Pernambuco, em Recife, os médicos lhe deram um medicamento para expulsão dos fetos porque ela estava grávida de gêmeos, e mais tarde ela foi submetida a raspagem do útero.
Os casos causaram comoção nacional, sendo que o da menina pernambucana foi agravado pela tentativa da Igreja Católica para impedir o aborto e excomunhar os médicos que a atenderam. Ela contou que sofria violência sexual desde os 6 anos. A irmã, de 14 anos, também era abusada pelo padrasto. No início de abril, dados com base em atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) revelaram que mais de 200 mil menores de 14 anos deram à luz nos últimos dez anos no Brasil.
DVD, documentários e revista
A Estação Luz Filmes produziu dois documentários editados num DVD que está sendo distribuído junto com a revista mensal Fale!, sediada em Fortaleza, CE. O primeiro, "Flores de Marcela", de 15 minutos, revela, segundo o diretor Glauber Filho (de "Bezerra de Menezes - O Diário de um Espírito"), "o carinho, amor e interação da família com Marcela, que, apesar de anencéfala, viveu quase dois anos, contrariando todos os prognósticos médicos e argumentos abortistas que insistem em afirmar que tais pessoas não são seres viventes".
O segundo, "Quantos Eu Te Amo eu poderia escutar em 15 minutos?", de 40 minutos, foi dirigido por Halder Gomes: "Retrata de forma racional, através de depoimentos de políticos, juristas, médicos e cientistas, os males irreversíveis que o aborto pode causar. Destaque para os anencéfalos, que, devido a sua fragilidade e impotência, tornaram-se vítimas indefesas diante dos interesses escusos que envolvem a tentativa de liberação do aborto no Brasil".
Dois documentários pró-vida
Os produtores declaram que os dois documentários são pró-vida: "Eles têm fortes argumentos para derrubar a tentativa de legalização do aborto de anencéfalo, um assunto que está na pauta do Supremo Tribunal Federal".
Em seu depoimento, a senadora Heloisa Helena diz: "A legalização do aborto no Brasil, além de se constituir em uma farsa técnica e uma fraude política, é uma proposta reacionário-conservadora que ousa tirar a vida de crianças, especialmente as pobres, para resolver problemas sociais gravíssimos. Eu entendo que a mulher tem autonomia para fazer o que quiser com o corpo dela, mas não para definir sobre a vida de outro ser humano que traz dentro do seu próprio corpo".
"A gente sabe que a indústria do aborto move bilhões de dólares, os interesses incluem laboratórios e profissionais inescrupulosos, inclusive os que montam laboratórios e clínicas", enfatiza o vice-presidente executivo do movimento Brasil Sem Aborto, o advogado Jaime Lopes. O movimento é bastante atuante e está presente em 17 Estados.
Para os produtores, os filmes são complementares: "O 'Flores de Marcela' é um filme intimista, que mostra com sutileza e nenhum sensacionalismo a relação de amor, carinho e interação de uma família inteira por uma criança anencéfala. Um filme que fala de respeito à vida, acima de tudo. 'Quantos Eu Te Amo' tem um contexto didático e esclarecedor sobre os males que o aborto pode causar".
Com 30 mil cópias, o DVD também vai ser levado a parlamentares, membros do STF, formadores de opinião, imprensa e outros segmentos da sociedade.
* Com Lucila Cano.
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