Prédio verde: nem sempre o que parece é
Por Engel Paschoal
No início deste mês, o CBS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável) realizou em São Paulo um simpósio a respeito da construção de prédios verdes, chamados internacionalmente de greenbuildings.
No evento, Charles Kibert, diretor do Powell Center for Construction and Environment (centro Powell para a construção e meio ambiente) e professor da Universidade da Flórida, EUA, disse: "Países como Alemanha e Suécia já estão produzindo uma segunda geração de prédios verdes, que diminuem a utilização de materiais provenientes de combustíveis fósseis. (...) Os países emergentes também devem tomar atitudes, mais simples, talvez, mas que demonstrem a consciência de que também são responsáveis pelas mudanças climáticas" (newsletter dos sites Envolverde e Ethos, 2/9/09).
Isso porque os prédios verdes já são realidade nos EUA e Europa, com demanda acentuada no mercado, mas estão apenas iniciando sua caminhada no Brasil.
Atraso do Brasil e da indústria da construção
Nos países desenvolvidos são investidos mais de US$ 35 bilhões anuais em empreendimentos sustentáveis. Mesmo assim, há dificuldades para o desenvolvimento de projetos, principalmente por causa da cadeia de fornecedores. "Os materiais de baixo impacto ainda não têm uma boa qualidade. Acredito que o ideal é criarmos uma certificação que identifique os prédios sustentáveis", sugeriu Kibert.
Ele também destacou a importância da integração entre o empreendimento e o ecossistema para a preservação de um ambiente equilibrado, o que só pode ser feito por meio de uma política de reutilização e reciclagem: "Essa sinergia é fundamental para a redução de emissão de CO2 e, nesse caso, as políticas públicas e regulamentadoras são imprescindíveis para implementarmos construções mais eficientes e sustentáveis".
Vanderley John, professor da Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), também participou do encontro: "o Brasil ainda está muito atrasado na questão da política ambiental, principalmente no que diz respeito às mudanças climáticas e, por consequência, nossa indústria da construção também está".
Cuidado com os "espertos"
Apesar de o assunto prédio verde ser muito novo entre nós, há tempos o Akatu, voltado para o consumo consciente, vem alertando "que muito se fala sobre construção sustentável, mas ainda é difícil encontrar empreendimentos ambientalmente corretos".
"Quem abre os cadernos de classificados dos grandes jornais em busca de imóveis ambientalmente corretos vai encontrar um grande volume de ofertas oferecendo áreas verdes e parques próximos ao condomínio, e uma enorme variedade de áreas de lazer e serviços. Mas será que isso representa, de fato, cuidado com o meio ambiente e preocupação com a sustentabilidade? Na verdade muito pouco ou quase nada" (Akatu, 12/12/07).
O Conselho Norte-Americano de Construção Verde (United States Green Building Council) criou uma certificação para garantir que o imóvel foi construído e funciona de modo ambientalmente correto: é o selo Leed (Leadership in Energy and Environmental Design, Liderança em Design Ambiental e Energético), que passou a ser uma norma reconhecida internacionalmente a partir de 2004.
Segundo o Akatu, para ser verde, um prédio deve: apresentar aproveitamento máximo de luz natural, por meio de janelas amplas, reduzindo o uso de iluminação artificial; fazer a coleta e armazenagem da água de chuva para reuso na lavagem de fachadas e áreas comuns e para regar as plantas; fazer coleta seletiva de lixo e encaminhamento do material para cooperativa de catadores ou para o serviço público que não misture o lixo. E na construção, entre outros pontos, o prédio verde só pode usar sobras de fabricação de aço; cimento CP 3, que emite até 70% menos CO2 que os convencionais; madeira certificada em 100% da obra; cores claras nas fachadas que não absorvem tanto calor como as mais escuras.
* Com Lucila Cano
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