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No mundo, 10% das pessoas têm deficiência auditiva

Por Engel Paschoal
Em 26 de setembro de 1857, o professor francês Hernest Huet fundou, com o apoio do imperador D. Pedro II, o Imperial Instituto de Surdos Mudos, no Rio de Janeiro. Huet era surdo. Na época, o Instituto funcionava como asilo, no qual só eram aceitas pessoas do sexo masculino que vinham de todos os pontos do país, muitas delas abandonadas pelas famílias. Depois, o nome do Imperial Instituto foi mudado para Instituto Nacional de Educação para Surdos (Ines). Hoje é um órgão do Ministério da Educação.

Por isso, o 26 de setembro é o Dia Nacional do Deficiente Auditivo. A data internacional é no dia 30. Mas temos ainda o 10 de novembro como o Dia Nacional de Combate à Surdez. Interessante: essa data também é o Dia da Indústria Automobilística.

No Brasil, o total de surdos varia, de acordo com fontes diversas, entre 2,25 milhões e 5,7 milhões (cerca de 2% a 3% da população). Segundo a Feneis (Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos) seriam 4 milhões. Fala-se em 480 mil no Estado de São Paulo e em 150 mil na cidade de São Paulo. A surdez é o quarto maior tipo de deficiência no Brasil.

Surdo ou deficiente auditivo?

A maneira de se dirigir ao surdo, assim como a outros deficientes, é controversa e tem despertado certa ira dos politicamente corretos. Como já escrevi em 9 de maior de 2005, Dorina Nowill é uma das pessoas mais credenciadas para falar sobre cegos. Por sinal, a Fundação Dorina Nowill para Cegos completou 63 anos em 11 de março de 2009.

Numa conferência em São Paulo, há cerca de oito anos, ela contou: "Quando eu era criança, diziam que eu tinha um problema na vista. Quando mocinha, diziam que eu não enxergava. Hoje, criam expressões, como 'portadora de deficiência visual', para descrever pessoas como eu. Já pensaram se estou na rua, querendo tomar o ônibus, e digo para outra pessoa: 'Por favor, pode me avisar quando passar o ônibus para a avenida Paulista? Sou portadora de deficiência visual'. O que eu tenho que dizer é que sou cega mesmo e pronto". E deu uma risada gostosa, acompanhada de toda a platéia. De forma simples e direta, Dorina Nowill mostrou que um dos piores problemas para os cegos é a maneira de se dirigir a eles.

Como também escrevi na época, desde cedo, o cego deve ser orientado a desenvolver e utilizar ao máximo o olfato. A identificação e a localização de odores (alimentos, remédios, flores) permitem maior domínio do ambiente, facilitando o reconhecimento de farmácias, restaurantes etc., bem como prevenindo situações de risco - cheiro de gás, gasolina, queimado. O paladar também é importante. A percepção gustativa permite reconhecer alimentos com os principais sabores: doce, amargo, salgado, ácido etc.

Triagem não é obrigatória

A triagem universal para o diagnóstico da surdez em recém-nascidos não é obrigatória no Brasil. Mas o diagnóstico da perda auditiva, nos primeiros meses de vida, é fundamental para o desenvolvimento e integração da criança segundo especialistas.

Quando se percebe que uma criança de até seis meses de idade tem problema auditivo é mais fácil o tratamento e o seu desenvolvimento em relação às com diagnóstico tardio. As melhorias são visíveis não apenas em relação ao aperfeiçoamento da linguagem e assimilação de conhecimento, como também no que diz respeito à integração social.

Havendo indícios de problemas de visão numa criança, deve ser imediatamente desenvolvido um programa de estimulação visual, de forma integrada às demais funções: sensório-motoras, cognitivas, psicoafetivas e sociais. Assim, a criança será motivada a usar o resíduo visual com eficiência, garantindo futuramente a autonomia, independência e adequação social dela.

No filme "Ray", sobre Ray Charles, é impressionante a cena da mãe falando que ele, então com cerca de dez anos, vai ficar cego, mas que isso não deve impedi-lo de fazer nada. E ela começa incentivando-o a fechar os olhos para ir se acostumando, a usar as mãos e desenvolver os outros sentidos para saber orientar-se e agir.

* Com Lucila Cano

Engel Paschoal

Jornalista é especialista em temas relacionados ao 3º setor.

E-mail: engelpaschoal@uol.com.br
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