Temperamento ajuda a definir carreira

Lucila Cano

Lucila Cano

Desde 2008, mais de um milhão de jovens respondeu o Indicador Brasileiro de Temperamentos para Adolescentes (IBTA), uma ferramenta online de autoconhecimento que ajuda a escolher uma carreira, ou a confirmar o acerto por uma área já definida.

São Paulo detém a maioria de acessos ao indicador (46%), seguido por Rio de Janeiro, Distrito Federal e Bahia. As mulheres representam dois terços dos participantes e a faixa etária mais presente (65%) é daqueles entre 14 e 18 anos.

Criado por Maria da Luz Calegari, jornalista, pedagoga e orientadora educacional, que estuda o tema há mais de 20 anos, o indicador é gratuito. Está hospedado no ambiente “Estudantes” do portal do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE): www.ciee.org.br

O IBTA é composto por 13 questões, às quais devem ser dadas notas de 0 a 4, relativas a preferências de matérias na escola e atividades rotineiras, entre outros aspectos. Ao final da avaliação, uma resposta imediata relaciona o tipo de temperamento do participante a um leque de profissões e personalidades que correspondem àquele modelo.

O IBTA se aplica a jovens do ensino médio, técnico e superior. Para adultos, a autora lançou o IBTA-A em 2010, disponível na internet em sites com foco em carreiras.

Essência da personalidade

Maria da Luz Calegari explica que “temperamento é um conjunto de inclinações inatas, relacionadas com a forma como percebemos as ‘coisas’ e com o modo como as analisamos e fazemos escolhas. Percebemos pessoas, fatos e eventos pelos cinco sentidos e pela intuição (percepção não mediada, num primeiro instante, pelos sentidos). Analisamos e fazemos escolhas mediante raciocínio lógico (pensamento) ou valores subjetivos (sentimentos). Essas variáveis influenciam nossos interesses – e aí se inserem os curriculares – e determinam a forma de realização pessoal e de relacionamento social”.

Ela reforça que “o temperamento é a essência da personalidade” e que, embora ambiente, família e cultura possam influenciar, o temperamento nunca é substancialmente modificado.

O estudo do temperamento remonta à Antiguidade. Em um de seus artigos, Calegari conta que, na Bíblia, “o profeta Ezequiel já classificava os homens de seu tempo em quatro temperamentos: leão, boi, homem e águia. Leão identificava os corajosos, boi, os que trabalhavam duro, homem, aqueles preocupados com a condição humana, e águia designava os que enxergavam mais longe que a maioria”.

A orientadora e autora do livro Temperamento e Carreira (Summus, 2006), no qual relaciona tipos de temperamento à trajetória de pessoas ilustres, diz que o psicólogo Carl Gustav Jung foi quem deu status de ciência ao estudo do temperamento. Na atualidade, ela própria adota os termos artesão, guardião, idealista e racional, de acordo com o psicólogo junguiano David Kersey, considerado a maior autoridade mundial no assunto.

Conhecer para saber escolher

A profusão de cursos técnicos e universitários à disposição de quem quer construir uma carreira dificulta escolhas. Muitos jovens se sentem atraídos por momentos do mercado, em que determinadas carreiras estão em alta. Outros são pressionados por modelos familiares, sem saber exatamente se é isso o que de fato desejam.

Na população, segundo Calegari, é possível apontar o predomínio de pessoas sensoriais (75%). Metade delas pertence ao grupo dos artesãos, ou hedonistas, que adoram novidades, detestam regras e são naturalmente hábeis para ofícios técnicos. A outra metade se encaixa no grupo dos guardiões. São pessoas que são responsáveis, controladoras, disciplinadas, daquelas que gostam de “tomar conta de tudo”. Os restantes 25% correspondem aos tipos intuitivos. Os idealistas são 15% e os racionais, 10%.

Em 47 anos, o CIEE já encaminhou 11 milhões de estagiários e 50 mil jovens para programas de aprendizagem. Ao colocar o IBTA à disposição dos estudantes, amplia as possibilidades de realização para eles e de satisfação para as empresas parceiras em todo o País.

* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.

Lucila Cano

Colunista especialista em temas relacionados ao 3º setor; assumiu a coluna em 9/4/2010



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