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Cultura Brasileira

Orixás

Divindades das religiões afro-brasileiras

Heidi Strecker*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Página 3

A procissão de Iemanjá parte da Casa do Peso, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador

Todos os anos, no dia 2 de fevereiro, a cidade de Salvador, capital do Estado da Bahia, realiza uma bela e colorida procissão de barcos em homenagem a Iemanjá, a rainha das águas. Os pescadores depositam no mar flores e presentes, pedindo sorte e uma pescaria farta.

Iemanjá é muito conhecida. Ela pode ser representada como uma sereia de longos cabelos ao vento. Sua cor favorita é o azul-claro e o sábado é o dia da semana que lhe é consagrado. Ela é uma das divindades do candomblé, uma das religiões de origem africana que se desenvolveu no Brasil, em especial na Bahia. A cultura brasileira recebeu grande influência dos escravos trazidos da África.

Assim como Iemanjá, muitos outras divindades de origem africana, como Oxum, Xangô, Oxalá, Oxóssi e Exu, passaram a fazer parte da vida de todos nós, e não apenas dos adeptos do candomblé ou da umbanda, outra religião afro-brasileira. Chamadas de orixás (palavra de origem ioruba que significa divindade), fazem parte da cultura brasileira, com seu significado místico e simbólico, suas festas, comidas, cores e símbolos.

Cada orixá tem sua história, sua personalidade e domina um aspecto da realidade. Como nós, os orixás têm sentimentos: amam, sofrem, ficam tristes, alegres ou com raiva. Os orixás estão ligados às forças da natureza, como a água, o ar, a terra e o fogo. Em equilíbrio, essas forças movem nosso destino. O espaço habitado pelos orixás chama-se orum e o mundo dos homens chama-se aiê. O grande pai responsável pela criação de todas as coisas é Olorum.

Oferendas e sacrifícios

Os orixás são homenageados com oferendas e sacrifícios. Cada um tem sua própria saudação, formada por palavras em idioma ioruba. Para conhecer a vontade dos orixás, mães e pais-de-santo, os sacerdotes dessas religiões, jogam os búzios, uma espécie de adivinhação realizado por meio da leitura de figuras formadas por conchas lançadas sobre uma mesa.

Hoje em dia, os orixás estão presentes não apenas nos rituais religiosos, mas nas festas populares, no carnaval, na dança e na música. Também integram muitos outros aspectos da nossa cultura, como as artes plásticas, o cinema, o teatro, a moda e a gastronomia.

Sincretismo

Mas nem sempre foi assim. Durante um grande período da nossa história, por estar ligado aos escravos, aos negros e aos pobres de um modo geral, o culto às divindades africanas era proibido e reprimido. Para sobreviver, houve época em que as religiões afro-brasileiras misturou-se ao catolicismo, um fenômeno conhecido como sincretismo. Os fiéis passaram a identificar os orixás aos santos católicos. Foi assim que, no candomblé, por exemplo, Oxóssi acabou se identificando com São Jorge, Ogum foi associado a Santo Antônio, e Iansã assimilada à figura de Santa Bárbara.

Conheça outros orixás:

Oxalá
Oxalá ocupa uma posição mais alta que os outros orixás, Seus filhos se vestem de branco, e seu dia é a sexta-feira. A ele podemos oferecer arroz doce e canjica. Avesso a qualquer tipo de violência, Oxalá aprecia a pureza e a ordem. Na festa do xirê (invocação aos orixás, para que desçam a Terra), Oxalá é o último a receber as homenagens, pois simboliza a totalidade, e todos os seres humanos são seus filhos.
Ogum
Ogum é um orixá guerreiro e conquistador, ligado à luta e ao trabalho. Ele ensinou aos homens a forja e metalurgia. Seu dia da semana é a terça-feira e suas oferendas são feijoada, vatapá e inhame com feijão preto. A cores de Ogum é o azul e seu dia da semana é a terça-feira. Dizem que Ogum é o dono de sete instrumentos de ferro: alavanca, machado, pá, enxada, picareta, espada e faca, com os quais ensinou o homem a dominar a natureza.
Xangô
Xangô é apreciador de caruru de quiabo e rabada. Quarta-feira é seu dia. Seu símbolo é o machado duplo que costuma carregar. É o orixá do fogo, do trovão, do raio e da justiça. Temido e respeitado, Xangô representa o poder e o comando. As cores de Xangô são o vermelho e o branco.
Oxum
Oxum é a divindade feminina das águas dos rios e das cachoeiras. O símbolo de Oxum é um leque-espelho, com o qual demonstra sua imensa vaidade. Suas cores são o azul-claro, o branco e o amarelo-ouro. Oxum está associada ao amor, à fertilidade e à riqueza.
Iansã
Coral, vermelho e rosa são as cores de Iansã. Representada como uma guerreira, seu símbolo é uma espada. Iansã está ligada às transformações, é a senhora dos raios, dos ventos e das tempestades. Freqüentemente aparece associada à figura católica de Santa Bárbara. Na peça O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, uma tragédia se abate sobre o humilde lavrador Zé-do-Burro, o personagem principal, quando faz uma promessa a Iansã e pretende pagá-la na Igreja de Santa Bárbara. Iansã é amante de Xangô e sua presença está ligada à paixão e aos sentimentos mais intensos.
Oxóssi
As cores de Oxóssi são azul-turquesa e verde e seu símbolo é o arco-e-flecha. Seu dia da semana é a quinta-feira. Oxóssi é um habilidoso caçador – senhor das florestas. Sua presença está associada à fartura, a todo movimento de expansão e à transmissão do conhecimento. Oxossi também é protetor dos animais e da natureza.
Exu
Exu é um orixá polêmico e suas cores são o vermelho e o preto. Seu símbolo é um bastão com cabaças e seu dia é a segunda-feira. É o orixá da comunicação e do comportamento humano, senhor dos caminhos e dos encontros. Também é responsável pela ligação do mundo humano com o mundo espiritual. Exu já foi associado ao demônio, no catolicismo. Ele deve receber as oferendas em primeiro lugar. Seus filhos podem lhe oferecer farofa com dendê, feijão, inhame e cachaça.
Heidi Streceker* é filósofa e educadora.

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