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A maioria de quê?

Por Thaís Nicoleti

"O Centro de Prevenção e Controle de Doenças da UE considera que a doença poderá afetar de 40% a 50% da população europeia, mas acredita que a maioria será branda."

O fragmento acima apresenta um caso de construção lacunar. O contexto permite ao leitor inferir que o redator se refere à maioria dos casos da doença, mas a estrutura está defeituosa, o que prejudica a fluência do texto.

A palavra "maioria" requer um complemento (a maioria de quê?), caso contrário poderá parecer que se refere ao termo imediatamente anterior ("população europeia"), o que não faria sentido.

A sugestão é que se acrescente a expressão "dos casos" ("a maioria dos casos"). Essa construção provoca outra questão gramatical: como fica a concordância? Dizemos "a maioria dos casos será branda" ou "a maioria dos casos serão brandos"?

Rigorosamente, as duas construções são possíveis, mas, com o verbo "ser" seguido de predicativo (o adjetivo "brando/s"), o ideal é fazer a concordância com o elemento mais próximo, de valor concreto, não com o núcleo do sujeito ("maioria"), de valor abstrato. É essa a tendência que mais se observa. Abaixo a sugestão de reformulação do texto:

O Centro de Prevenção e Controle de Doenças da UE considera que a doença poderá afetar de 40% a 50% da população europeia, mas acredita que a maioria dos casos serão brandos.

Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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