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"Mais bem" é estrutura correta antes de particípios

Por Thaís Nicoleti


 

"Para que a lei funcione ao máximo como incentivo, além de disseminada, ela precisa ser melhor explicada."No fragmento acima, encontramos o uso da forma sintética dos comparativos de superioridade de "bom" (adjetivo) e de "bem" (advérbio) diante de um verbo no particípio.

Embora haja quem já aceite esse tipo de construção ("melhor explicado"), em virtude do uso, é interessante observar por que não é a forma tradicionalmente recomendada. Numa comparação entre dois textos, por exemplo, podemos dizer que um é "melhor" (do) que o outro (usamos "melhor" no lugar de "mais bom"); numa comparação entre duas ações, podemos dizer, por exemplo que uma pessoa escreve melhor (do) que outra (usamos "melhor" agora no lugar de "mais bem"). Nesses dois casos, o emprego da forma "melhor" é obrigatório.

Talvez por imaginarem que a construção "mais bem" é sempre errada, muitos usuários da língua acabem, por hipercorreção, transformando a estrutura "mais bem explicada", por exemplo, em "melhor explicada". O fato é que, diante do particípio, não se faz a substituição por "melhor" porque o intensificador "mais" incide sobre o conjunto representado por "bem+particípio", não unicamente sobre o advérbio "bem".

É fácil perceber isso em casos em que ocorre o hífen, como "mais bem-humorado" (que ninguém substitui por "melhor humorado") ou "mais bem-vestido", "mais bem-acabado" etc.

Note que, mesmo não havendo o hífen, o particípio antecedido de "bem" constitui uma expressão sobre a qual incidirá o advérbio de intensidade "mais". Assim: trabalho mais bem feito (nova ortografia), casa mais bem decorada, lição mais bem explicada, música mais bem tocada etc.

Menos comum é o advérbio "mais" não se aglutinar com os adjetivos "bom" e "boa", mas isso também não é impossível. Dizemos, corretamente, que uma pessoa demonstra ter mais boa vontade que outra, não "melhor vontade", ou que demonstra ter mais bom-senso (com hífen na nova ortografia), não "melhor senso" que outra. A ideia é exatamente a mesma.

A título de observação secundária, mas não menos importante, convém ao redator deslocar o sujeito da oração subordinada que antecede a principal para esta, caso se trate, naturalmente, do mesmo sujeito, omitindo-o da oração que, embora inicie o período, é subordinada à segunda. O texto ganha em fluência e não é necessário usar um pronome para retomar o termo anterior. Veja, abaixo, o texto reformulado:

Para que funcione ao máximo como incentivo, além de disseminada, a lei deve ser mais bem explicada.

Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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