
Com a reforma ortográfica, que prometia tornar mais simples o emprego do hífen, muita gente passou a ter dúvidas sobre grafias que não sofreram alteração. É bem verdade que, mesmo para pessoas instruídas, nem sempre é fácil distinguir um prefixo ou um elemento de composição de um adjetivo reduzido, por exemplo.
Concretamente, não são poucos os que tendem a escrever "grecorromano" ou "grecolatino", sem hífen, acreditando serem essas as novas grafias. Errado. "Greco-romano" e "greco-latino" continuam com hífen. O mesmo vale para "afro-brasileiro", que, entretanto, difere de "afrodescendente".
São as formas reduzidas de adjetivos que, sempre com hífen, entram na composição de gentílicos (afro-cubano, ibero-americano, israelo-americano), toponímicos (afro-litorâneo) e ideologemas (afro-animista, greco-ortodoxo). A esse respeito, consulte-se o dicionário de Antônio Houaiss, especialmente o verbete "afro-".
Nos demais casos, é o elemento de composição que entra, na maior parte das vezes sem hífen, na formação da palavra. Daí "afrodescendente", "grecofonia", "iberorromance", "lusofonia" etc. Nesses casos, vale a regra nova de hifenização (o sinal aparece antes do "h" e da letra idêntica à última letra do prefixo ou falso prefixo).
Reforce-se que, nos gentílicos, o hífen permanece. Assim: "acordo nipo-francês", "tratado sino-luso-inglês", "acordos franco-brasileiros" etc. Observe-se ainda que o adjetivo reduzido (que é o primeiro) deve sempre terminar com a vogal "o". Assim: "acordo brasilo-holandês", "conflito israelo-palestino", "população judeo-francesa", "documento árabo-hispânico" etc.