
"Em nota, a assessoria de imprensa da Algar S.A. Empreendimentos e Participações declarou que a empresa também não havia sido formalmente comunicada."
Os verbos "comunicar" e "informar", embora tenham sentido aproximado, apresentam diferentes comportamentos quanto à regência.
"Comunicar" tem comportamento idêntico ao de "dizer". Ambos são transitivos diretos e indiretos, com o objeto direto representado pela informação (comunicada ou dita) e com objeto indireto representado pelo destinatário da ação. Em outras palavras, dizemos ou comunicamos algo a alguém.
Muito bem. Na voz passiva, é o complemento direto (sem preposição) que se transforma em sujeito, portanto é a informação que pode ser dita ou comunicada, jamais a pessoa a quem ela se destina. Ninguém diz que fulano foi dito, mas é comum ouvirmos alguém dizer que fulano foi comunicado.
É possível que essa confusão tenha origem na regência de "informar", verbo semanticamente parecido com o "comunicar". A semelhança semântica, entretanto, não conduz à similitude de comportamento sintático.
O verbo "informar" admite duas construções: informar algo a alguém (na passiva, alguém ser informado de/ sobre algo) e informar alguém de/sobre algo (na passiva, algo ser informado a alguém). Uma solução para o período em epígrafe seria, portanto, dizer que a empresa não havia sido informada em vez de "comunicada".
Sem lançar mão do verbo "informar", também seria possível corrigir o texto. Abaixo uma sugestão:
Em nota, a assessoria de imprensa da Algar S.A. Empreendimentos e Participações declarou que a empresa também não havia recebido nenhum comunicado formal.