
"Mas, no final das contas, não são os senhores quem respondem ao COI?"
O fragmento traz à tona uma importante questão de concordância verbal: com que termo concorda o verbo quando seu sujeito é um pronome relativo?
Regularmente, nesses casos, o verbo concorda com o antecedente do pronome relativo. Assim: "Foi ele que fez", "Fomos nós que fizemos", "Foram eles que fizeram". Essa concordância se explica pelo fato de o pronome relativo ("que") substituir o antecedente, incluindo-o na oração que encabeça. Vale dizer que o pronome relativo exerce duas funções, a de articular duas orações e a de incluir na segunda oração um termo da primeira (o seu antecedente).
Ocorre, porém, que, se o pronome for "quem" (que substitui pessoas), a concordância não será feita com o antecedente. Nesse caso, o pronome, considerado relativo indefinido, é, ele próprio, da terceira pessoa do singular e é com ele que concorda o verbo. Assim: "Foi ele quem fez", "Fomos nós quem fez", "Foram eles quem fez".
Tais construções podem parecer um tanto estranhas, mas uma inversão sintática é suficiente para que essa impressão se altere. Em suma, não soa incomum dizer frases como as seguintes: "Hoje quem paga a conta sou eu", "Hoje quem paga são vocês", "Hoje quem paga somos nós".
Para corrigir o fragmento em epígrafe, podemos substituir o pronome "quem" pelo pronome "que", mantendo o verbo no plural (1), ou manter o pronome "quem", substituindo a forma verbal de plural pela de singular (2). Assim:
(1) Mas, no final das contas, não são os senhores que respondem ao COI?
(2) Mas, no final das contas, não são os senhores quem responde ao COI?