
"O médico Cícero Vaz, fisiatra do Hospital Israelita Albert Einstein, avalia que mais estudos serão necessários para comprovar se o benefício apontado pelo estudo é neurofisiológico (pela ação da serotonina nos impulsos nervosos) ou emocional."
O verbo "avaliar" é transitivo direto e seu complemento exprime aquilo que é objeto de avaliação. São vários os significados que esse verbo pode acolher, mas não é correto empregá-lo como verbo de elocução (ou verbo dicendi).
Um corretor de imóveis pode avaliar um terreno ou uma casa, ou seja, determinar o seu valor. Uma avaliação pode ter caráter subjetivo (avaliar o esforço ou o mérito de alguém, por exemplo) ou pode indicar um cálculo aproximado ("Mal se consegue avaliar a fortuna dele"). Um professor pode avaliar o desempenho de seus alunos nas provas.
Na construção que se tem tornado frequente nos textos da imprensa, o objeto da avaliação se confunde com a própria avaliação que se faz dele. Em outras palavras, numa formulação como a do fragmento acima ("avalia que..."), o objeto do verbo "avaliar" é a avaliação. Esse é o defeito da frase, pois o objeto do verbo "avaliar" deve ser aquilo que se avalia (uma situação, por exemplo), não o que se pensa sobre algo (avaliação).
Simplificando a questão, pode-se dizer que o problema está em usar a construção "avalia que". O resultado disso sempre será inadequado. Alguém avalia algo e, em seguida, exprime a sua avaliação ou opinião. Nada como lançar mão dos conectivos de valor conformativo (conforme, segundo, de acordo com), que servem para indicar a quem pertence a ideia. Veja, abaixo, uma sugestão de correção:
Segundo a avaliação do médico Cícero Vaz, fisiatra do Hospital Israelita Albert Einstein, mais estudos serão necessários para comprovar se o benefício apontado pelo estudo é neurofisiológico (decorrente da ação da serotonina nos impulsos nervosos) ou emocional.