
"O cineasta é considerado fugitivo nos EUA desde o final dos anos 1970, após ser acusado de dar drogas e estuprar uma menor de idade, quando ele tirava fotos dela numa sessão fotográfica na casa do ator Jack Nicholson, em Los Angeles."
Duas são as questões gramaticais suscitadas pelo fragmento em epígrafe, uma de regência verbal e uma de emprego dos tempos verbais.
Embora seja comum na linguagem oral, ainda se evita, na norma culta, o emprego de um só complemento para verbos de diferentes regências. Alguém dá drogas a uma pessoa (dar alguma coisa a alguém), portanto a pessoa daria drogas a uma menor de idade; já "estuprar" é um verbo transitivo direto, que não requer preposição.
Segundo a norma culta, cada verbo deveria ter seu complemento: dar drogas a uma menor de idade e estuprá-la (o pronome átono retomando o complemento anterior). Outra solução seria substituir a expressão "dar drogas" por "drogar" (verbo transitivo direto): drogar e estuprar uma menor de idade.
A segunda questão diz respeito ao tempo verbal do infinitivo. Diferentemente do que possa parecer, o infinitivo tem formas compostas. Em outras palavras, a forma passiva do verbo acusar (ser acusado), no passado, é "ter sido acusado". Se fulano foi acusado no final dos anos 1970, devemos dizer: "em 1970, depois de ter sido acusado" (não depois de "ser acusado"). O mesmo vale para os demais verbos, que indicam ações ocorridas no passado. Veja, abaixo, o texto reformulado:
O cineasta é considerado fugitivo nos EUA desde o final dos anos 1970, após ter sido acusado de haver drogado e estuprado uma menor de idade, quando ele tirava fotos dela numa sessão fotográfica na casa do ator Jack Nicholson, em Los Angeles.