
"Um elemento fundamental no grafite é seu diálogo com o espaço urbano, marcado pela poluição visual e sonora das cidades, transformando-o e a ele agregando, em alguns casos, carga poética, como n'Osgêmeos, ou política, como em tantos outros pixadores e grafiteiros."
"X" ou "ch"? A questão parece das mais simples, mas, ainda assim, vez ou outra, ocorrem alguns "escorregões". É bem verdade que as regras ortográficas de emprego do "x" ou do "ch", além de terem exceções, não são suficientes para explicar todos os casos.
Sabemos, por exemplo, que, depois das sílabas "en-" e "me-", aparece o "x", não o dígrafo "ch"- pelo menos, na maior parte dos casos (enxada, enxame, enxoval, enxovia, mexilhão, mexer, mexerica etc.). "Encher", "enchente", "enchiqueirar", "mecha" são exceções.
No decorrer da história da língua, na passagem do latim ao português, as sequências "pl" e "fl", por exemplo, em alguns casos, transformaram-se em "ch" (plumbum - chumbo, pluvia - chuva, plenus - cheio, planus - chão, flamma - chama, flagrare - cheirar etc.).
Há casos, entretanto, em que é a influência de outras línguas modernas que traz o "ch" ao português. Do inglês "check", por exemplo, vem a palavra "cheque" - e desta o verbo "checar". E aqui um parêntese: de influência árabe, é a palavra "xeque", que aparece em "xeque-mate" e na expressão "pôr em xeque".
De volta ao inglês, encontramos "pitch", que é o nome de certa resina de cor negra e consistência pegajosa, obtida da destilação do alcatrão ou da terebintina. Em português, "pitch" assumiu a forma "piche". De "piche", "pichador" - com "ch", não com "x".
Abaixo, o texto corrigido:
Um elemento fundamental no grafite é seu diálogo com o espaço urbano, marcado pela poluição visual e sonora das cidades, transformando-o e a ele agregando, em alguns casos, carga poética, como n'Osgêmeos, ou política, como em tantos outros pichadores e grafiteiros.