
"Em seu comunicado de desculpa, a senadora assegurou que citou os exemplos para deixar claro que houveram casos de processos de eleições primárias que se prolongaram até junho."
O verbo "haver" merece atenção especial. Diferentemente da maioria dos verbos da língua portuguesa, em certas circunstâncias ele não tem sujeito, motivo pelo qual não sofre a flexão de concordância. Assume a condição de verbo impessoal quando exprime a simples existência de algo ou a ocorrência de fatos.
No trecho em destaque, o redator pretendeu expressar a ocorrência de fatos ("casos de processos de eleições primárias que se prolongaram até junho"), portanto deveria ter empregado o verbo "haver" impessoalmente, ou seja, na terceira pessoa do singular.
A tendência a fazer o verbo "haver" concordar com o termo que lhe é posterior explica-se, talvez, por uma possível analogia com o verbo "existir" em construções do tipo "Existem pessoas que não sabem o que dizem" , "Existiam provas daquilo" etc., nas quais o termo posterior ao verbo é o seu sujeito, coisa que não ocorre com o verbo "haver".
Em suma, mantenha o verbo "haver" no singular quando pretender exprimir a existência ou a ocorrência de fatos. Assim: Em seu comunicado de desculpa, a senadora assegurou que citou os exemplos para deixar claro que houve casos de processos de eleições primárias que se prolongaram até junho.
Um abraço,
Thaís Nicoleti