
"Renato elogia, mais dá indícios de que Dodô seguirá no banco"
"A cesta básica da cidade de São Paulo ficou 2,45% mais cara na última semana, mas uma vez pressionada pelos preços dos alimentos."
O que vemos nesses fragmentos é a confusão no emprego das palavras "mas" e "mais". "Mas" é uma conjunção coordenativa adversativa, isto é, um elemento responsável pela ligação de duas orações de sentido oposto.
Observamos, assim, que, no primeiro período, esse seria o termo adequado para relacionar a idéia de que o técnico Renato (Gaúcho, do Fluminense) faz elogios a Dodô com a idéia de que o jogador permanecerá no banco (de reservas, entenda-se). Essa contradição entre fazer elogios ao atleta e deixar de escalá-lo para o jogo expressa-se com propriedade pela conjunção "mas".
A palavra "mais" é um advérbio de intensidade ou um pronome indefinido, de acordo com a situação de emprego. Quando modifica um verbo ou um adjetivo, é um advérbio; quando quantifica de modo genérico um substantivo, é um pronome indefinido. Em ambos os casos, opõe-se a "menos" (o que pode ser uma "dica" para ajudar a não confundir "mais" com "mas"). Assim, o contrário de "menos tarde" é "mais tarde", o contrário de "menos gente" é "mais gente", o contrário de "menos frio" é "mais frio" - e assim por diante.
Como se pode perceber, era o pronome indefinido "mais" que deveria estar presente no segundo período: a cesta básica ficou mais cara (advérbio de intensidade) na última semana, mais uma vez (pronome indefinido) pressionada pelo preço dos alimentos.
Corrigida essa confusão entre os parônimos "mas" e "mais", convém observar que o primeiro período poderia ganhar nova construção, tornando-se mais claro. Para tanto, o redator deveria pôr o objeto direto de "elogia" (que é "Dodô") e substituir o nome Dodô por "jogador". Assim: Renato elogia Dodô, mas dá indícios de que o jogador permanecerá no banco. Além disso, "seguir" não é sinônimo de "permanecer" - aliás, muito pelo contrário, mas esse é um tema para outra dica!
Um abraço,
Thaís Nicoleti